Uma nova exigência burocrática criada para o transporte de cargas está provocando indignação entre motoristas autônomos, empresários e profissionais do setor em Rondônia e em todo o país. A medida, ligada ao chamado Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), determinado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), já é apontada por muitos como mais um obstáculo para quem vive do trabalho diário nas estradas.
Na prática, a nova regra exige que o transportador cumpra uma série de procedimentos eletrônicos para poder exercer sua atividade. O processo passa pelo acesso à plataforma Gov.br e pela obtenção de códigos específicos exigidos para cada operação de transporte.
O problema é que muitos trabalhadores alegam não possuir familiaridade com sistemas digitais e temem ficar impedidos de trabalhar caso não consigam atender às novas exigências.
Além da burocracia, outro ponto tem gerado preocupação. Segundo relatos do setor, motoristas que enfrentarem dificuldades para se adequar ao novo modelo poderão ser obrigados a buscar capacitação especializada, cujo custo pode chegar a cerca de R$ 2.500. Para profissionais que dependem de cada frete para sustentar suas famílias, o valor é considerado inviável.
As penalidades também assustam. O descumprimento das novas regras pode resultar em multas que chegam a R$ 10.500, montante considerado extremamente elevado para a realidade financeira da maioria dos transportadores autônomos.
O documento conhecido como MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais), utilizado há anos pelo setor, sempre foi uma ferramenta relativamente simples para formalizar o transporte de cargas. Agora, com a inclusão de novas exigências eletrônicas e integrações obrigatórias, muitos profissionais afirmam que o processo se tornou mais complexo e distante da realidade de quem trabalha diariamente nas estradas.
A reação não demorou a aparecer. Em Rondônia, o empresário César Cassol foi um dos primeiros a criticar publicamente as mudanças. Em tom de ironia, afirmou que determinados produtos poderão acabar sendo transportados em “carrinho de mão”, diante das dificuldades impostas pela nova regulamentação.
A preocupação central dos críticos da medida é que ela acabe atingindo justamente os trabalhadores mais vulneráveis do setor. São milhares de motoristas autônomos espalhados pelo país que não possuem equipes administrativas, departamentos jurídicos ou especialistas para lidar com novas exigências burocráticas.
Para eles, cada nova obrigação representa mais custos, mais tempo perdido e menos oportunidades de trabalho.
Enquanto o objetivo oficial das mudanças é ampliar o controle e a segurança das operações de transporte, cresce o debate sobre os impactos práticos da medida. A dúvida que permanece é se a nova regulamentação conseguirá alcançar seus objetivos sem sacrificar exatamente aqueles que dependem do frete para colocar comida na mesa e movimentar a economia brasileira.





















