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Pedágio Tradicional x Free Flow: quem realmente paga o preço da modernização?

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

Por

CICERO MOURA

Foto: Reprodução / Redes Sociais
Foto: Reprodução / Redes Sociais

ATUALIZAÇÃO
Recebi dezenas de mensagens por conta da coluna de ontem referente ao pedágio que será implantado em Rondônia nos próximos dias. Muita gente questionando a eficiência do sistema onde a internet ainda é capenga.

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MODERNIDADE ?
Então, seguimos com o tema. A promessa de modernização das rodovias brasileiras ganhou força com a implantação do sistema de pedágio Free Flow, baseado em pórticos eletrônicos, leitura de placas e cobrança automática. 

Foto: Reprodução / Redes Sociais

JUSTIFICATIVA
No discurso oficial, trata-se de mais fluidez no trânsito, menos filas e cobrança mais “justa”, por trecho percorrido. 

REALIDADE
Na prática, porém, a comparação com o modelo tradicional de pedágio revela dúvidas relevantes e riscos concretos ao usuário.

REALIDADE 2
Sobretudo em estados como Rondônia, onde o perfil socioeconômico e logístico é muito diferente dos grandes centros.

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NO SUL
A experiência recente no Rio Grande do Sul, onde o sistema já gerou forte reação política e virou alvo de CPI na Assembleia Legislativa, acende um alerta que não pode ser ignorado.

CLAREZA NA COBRANÇA
No pedágio tradicional, o usuário: enxerga a praça de cobrança; sabe exatamente onde está pagando; recebe comprovante imediato e resolve qualquer problema no local.

INVISÍVEL
Já no Free Flow: o pedágio é “invisível”; muitos motoristas passam sem perceber que foram cobrados; o pagamento ocorre depois, por aplicativo, site ou boleto; qualquer erro só aparece quando já virou dívida ou multa.

NEGATIVO
Por conta disso temos um impacto negativo direto: o motorista deixa de ser passivo (paga e segue viagem) e passa a ser responsável por monitorar cobranças futuras, o que gera insegurança e risco de inadimplência involuntária.

NEGATIVO 2
Tecnologia como obrigação, não como opção. O modelo tradicional não exige tecnologia: qualquer pessoa pode pagar em dinheiro, cartão ou TAG.

FUTURISMO
O Free Flow, por outro lado, pressupõe que o usuário: tenha celular; tenha acesso à internet; saiba usar aplicativos e consulte sistemas digitais regularmente.

NOSSO ESTADO
Em Rondônia, onde há: longos deslocamentos rurais; caminhoneiros autônomos; pequenos produtores; população com acesso limitado à internet; cria-se uma exclusão prática, onde quem não domina a tecnologia fica mais exposto a erros, cobranças indevidas e penalidades.

MULTAS E DÍVIDA CIVIL
Nessa condição há uma confusão perigosa por conta da diferenciação que existe na maneira de proceder.

OBSERVAÇÃO
No pedágio tradicional: não pagar significa não passar e não há multa de trânsito automática.

OBSERVAÇÃO 2
No Free Flow: o veículo passa mesmo sem pagar. Dias depois, o motorista pode ser surpreendido com: Multas; pontos na CNH; encargos financeiros.

OBSERVAÇÃO 3
Esse ponto é um dos mais polêmicos e já motivou questionamentos jurídicos e políticos em outros estados. A dúvida central é: não pagar pedágio é infração de trânsito ou inadimplência contratual?

OBSERVAÇÃO 4
Enquanto essa questão não é pacificada, o usuário fica no meio do conflito, arcando com penalidades que podem afetar diretamente sua vida profissional.

IMPACTO FINANCEIRO
No modelo tradicional: o custo é claro e previsível; o motorista se organiza financeiramente.

PORÉM
No Free Flow: O valor pode variar conforme o trecho; o usuário nem sempre sabe quanto acumulou; pequenos deslocamentos diários podem gerar cobranças frequentes.

RONDÔNIA
Em estados de grande extensão territorial como Rondônia, isso pode resultar em: aumento silencioso do custo de deslocamento; dificuldade de controle financeiro; penalização de quem usa a rodovia para trabalho, não lazer.

EXEMPLO QUE VEM DO SUL
No Rio Grande do Sul, a implantação do Free Flow provocou: reclamações em massa de usuários; alegações de falta de informação adequada; dificuldades no pagamento; questionamentos sobre multas automáticas.

INVESTIGAÇÃO
O acúmulo dessas queixas levou à abertura de CPI na Assembleia Legislativa, justamente para apurar: falhas no modelo; prejuízos aos usuários; responsabilidade do poder concedente.

PERIGO
Ignorar essa experiência e repetir o modelo em Rondônia sem adaptações seria repetir erros já identificados.

REAVALIAÇÃO
Não há dúvida de que a tecnologia pode melhorar a gestão das rodovias. O problema não está no conceito do Free Flow, mas na forma como ele é implantado.

COMO É
Comparado ao pedágio tradicional, o Free Flow: transfere responsabilidade excessiva ao usuário; amplia o risco de punições involuntárias; penaliza quem tem menos acesso à tecnologia; cria insegurança jurídica e financeira.

INFORMAÇÃO
Antes de avançar em Rondônia, é fundamental: garantir ampla informação e sinalização; criar formas simples e presenciais de pagamento; evitar multas automáticas em fase de adaptação, ouvir a população local.

RISCO
Sem isso, o que se vende como modernização pode se tornar, na prática, mais um custo oculto para quem já paga caro para se deslocar.

FRASE
A tecnologia potencializa tanto o conhecimento quanto a ignorância.

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Grupo Marquise - EcoRondônia

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