Realizada na manhã desta terça-feira (17), no plenarinho, a reunião da Comissão de Saúde da Câmara de Porto Velho, convocada pela vereadora Elis Regina, deu voz as associações, sindicatos e Conselhos acerca da implantação do novo modelo de gestão em saúde proposto pelo Executivo Municipal. Presente à assembleia, o Professor Aleks Palitot ouviu as representações.
De acordo com o prefeito Hildon Chaves, o sistema de gestão por meio das Organizações Sociais de Saúde (OSS), é a solução para o problema da área em Porto Velho. Um grande passo, segundo Hildon, foi dado com o encaminhamento para a Casa de Leis Municipal do projeto que autoriza a implementação da parceria.

Porém a realidade conforme associações, sindicatos e Conselhos presentes ao concílio é outra. Atualmente a cobertura municipal em saúde, responsável pela atenção básica não chega à 40%, segundo o Presidente do Conselho Estadual de Saúde, Raimundo Nonato.

Raimundo Nonato explica ainda que atualmente o Estado já vem realizando o atendimento básico. “Se cruzarmos os relatórios das unidades Estaduais de Saúde veremos que as fichas verdes e azuis que representam a atenção básica já são os maiores registros, enquanto a amarela e vermelha, as de urgência, estão em menor número”.

Segundo apontam os técnicos, a terceirização da saúde não é a melhor solução, pois é mais cara e não atende de maneira satisfatória a população. O modelo adotado no Rio de Janeiro, uma das quatro capitais no país que aderiram ao serviço foi realizado de maneira improvisada e a população questiona a qualidade dos atendimentos.
As Organizações Sociais de Saúde são entidades filantrópicas com gestão semelhante à empresas privadas. O objetivo dela, em tese é diferente. Embora sejam beneficentes, nada impede que visem o lucro.
“Um exemplo é de que um médico que ganha R$ 10.000 pelo contrato com a prefeitura, ganhe o dobro em uma OSS. Pode-se compreender que é uma forma disfarçada de lucro”, explica João Aramaio, Presidente do Conselho Municipal de Saúde.

Ele relata que já há algumas semanas uma comissão foi constituída dentro da Secretária Municipal de Saúde para trabalhar uma possível implantação de OSS. “É preciso que os vereadores possam ter uma dimensão real da situação. A Semusa dá todos os indícios que irá implantar a OSS em Porto Velho”, alerta o Presidente do Conselho Municipal.

Conforme Raimundo Nonato, Presidente do Conselho Estadual de Saúde, foi tomada uma decisão no colegiado que não permitirá que haja essa parceria. O Estado irá intervir para organizar o sistema, pois o problema está na gestão, enfatizou o Presidente do Conselho Estadual. Para ele falta planejamento das ações na atenção básica.

Para Nonato, o prefeito por ter sido promotor da área de saúde deveria ter mais respeito à legislação e honrá-la. Ele precisa colocar profissionais que possuam capacidade de planejamento e conhecimento para efetivar as ações em saúde, o que ainda não ocorreu na sua gestão.
Outro ponto alegado por Raimundo Nonato, porta voz do conselho técnico é que os conselhos não permitirão a terceirização. “Caso não recue, é possível que cacemos a gestão do município e iremos cobrar da Casa de Vereadores a posição de cada um”, afirma.

Durante a reunião foi abordada a possibilidade de uma intervenção do Estado e segundo os conselheiros, foi homologada uma resolução. “Não adiantará o secretário ir aos veículos falar que não haverá intervenção, pois será acionado o judiciário e ele será obrigado a cumprir com o que assinou, asseverou o Presidente do Conselho Estadual de Saúde, Raimundo Nonato.
Fonte: Assessoria






















