O clima eleitoral começa a esquentar antes mesmo do período oficial e, junto com ele, surgem práticas preocupantes que colocam em risco a verdade e o debate democrático. Nos bastidores da política rondoniense, já circulam conteúdos manipulados, inclusive com uso de Inteligência Artificial, tentando confundir a população com informações distorcidas.

Um dos casos mais recentes envolve a criação de vídeos falsos em que deputados aparecem supostamente “confessando” ter votado a favor de uma isenção de impostos bilionária para a Energisa. O material, claramente montado, espalhou-se rapidamente como se fosse verdadeiro, gerando indignação e desinformação.
Na realidade, o que houve foi a aprovação de um projeto enviado pelo Governo do Estado e aprovado por ampla maioria dos parlamentares, que tratava de refinanciamento de créditos tributários, o chamado Refis. No caso específico da Energisa, o acordo envolvia um acerto de contas: a empresa tinha cerca de 1 bilhão de reais a receber do Governo, enquanto o Estado tinha valor semelhante a receber da concessionária. O projeto autorizou a compensação e renegociação desses créditos, e não uma simples isenção de impostos, como vem sendo propagado nas redes.
O problema, segundo lideranças políticas, não está nas críticas ao projeto — que são legítimas dentro do debate democrático — mas na fabricação de conteúdos falsos para induzir a opinião pública ao erro. A utilização de tecnologia para simular falas e criar situações que nunca aconteceram transforma a disputa política em um terreno perigoso.
O uso da Inteligência Artificial como ferramenta de manipulação preocupa ainda mais porque dá aparência de autenticidade a materiais completamente falsos. O que antes poderia ser desmentido com facilidade, agora ganha força e velocidade nas redes sociais, criando versões que parecem reais para quem assiste rapidamente.
Nos bastidores, a avaliação é de que esse tipo de prática tende a aumentar à medida que as eleições se aproximam. A chamada “campanha da baixaria” já começou e, desta vez, com um componente novo e ainda mais agressivo: a tecnologia sendo usada para construir mentiras com aparência de verdade.
Para muitos, o momento exige atenção redobrada. Criticar, discordar e debater faz parte da política. Mas fabricar vídeos e atribuir falas que nunca existiram ultrapassa o limite do jogo democrático e entra no campo da desinformação e, possivelmente, do crime.
O cenário que se desenha é preocupante. A mesma tecnologia que poderia ajudar a informar, educar e melhorar a comunicação está sendo usada como instrumento de ataque. E, ao que tudo indica, esse será apenas o começo de uma disputa eleitoral marcada por boatos, manipulações e tentativas de confundir o eleitor.





















