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O dia foi daqueles em que fica impossível ignorar o que está acontecendo nos bastidores de Rondônia. Em poucas horas, temas diferentes, mas profundamente conectados, mostraram que a disputa de poder já começou e começou pesada.

A crise do lixo em Porto Velho, por exemplo, virou símbolo de algo maior: o desgaste da paciência da população. O problema não é novo, mas ficou impossível de esconder. O acúmulo nas ruas, o risco sanitário e a pressão política levaram a Prefeitura a preparar o rompimento com a empresa responsável. Foi preciso discurso duro, cobrança pública e exposição para que uma decisão fosse tomada. Isso mostra como, muitas vezes, só quando a situação chega ao limite é que as coisas começam a se mover.

Ao mesmo tempo, outro cenário se desenha, bem mais silencioso, mas igualmente importante: o enfraquecimento do União Brasil após a saída do governador Marcos Rocha. A mudança de partido não é apenas uma troca de sigla. É uma reconfiguração de forças. Quem fica, quem vai, quem cresce e quem desaparece. A política é dinâmica, e quem não se reorganizar rápido corre o risco de murchar antes mesmo da campanha começar.

O partido ainda tem nomes fortes, ainda tem espaço e ainda tem influência. Mas perdeu seu principal eixo. Agora terá que provar que consegue caminhar sozinho. E isso, em ano pré-eleitoral, não é tarefa simples.

Enquanto isso, longe da Capital, outro problema continua sem solução definitiva. Em Alta Floresta, famílias de produtores vivem sob constante tensão, mesmo com decisão judicial em vigor. O assunto voltou a Brasília, chegou ao STF e reacendeu um debate antigo: quem está certo, quem tem direito e quem está sendo esmagado no meio desse conflito. O fato é que o medo voltou a rondar quem vive da terra. E medo, em política, sempre vira combustível.

Mas nada mostra tão claramente o clima que se aproxima quanto o que já está acontecendo nas redes sociais.

A campanha da baixaria começou. E começou com uma novidade perigosa: a Inteligência Artificial sendo usada para fabricar mentiras com cara de verdade. Vídeos falsos, falas que nunca existiram, acusações montadas. Tudo com aparência real. Tudo pronto para enganar quem vê rápido e acredita.

O caso envolvendo a história da suposta “isenção bilionária” para a Energisa é um exemplo claro disso. Transformaram um refinanciamento de créditos em um escândalo inexistente. Criaram narrativas, colocaram palavras na boca de deputados e espalharam como se fosse verdade absoluta.

Criticar é direito. Discordar faz parte. Mas inventar, manipular e mentir é outra coisa. É atravessar a linha.

O problema é que isso é só o começo.

A tecnologia que poderia ajudar a informar melhor está sendo usada como arma. E, como sempre acontece, quem usa esse tipo de recurso aposta numa coisa simples: a mentira corre mais rápido que a verdade.

O que vimos hoje, olhando tudo junto, não são fatos isolados. É um retrato do momento. A gestão sendo pressionada, partidos se reorganizando, conflitos antigos voltando à tona e a guerra digital começando a tomar forma.

Ainda nem estamos oficialmente em campanha.

Mas ela já começou. E, pelo visto, vai ser uma das mais duras dos últimos tempos.

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