Por JH Notícias
Uma licitação estimada em R$ 8,47 bilhões, envolvendo um serviço essencial e com impacto direto sobre a vida de milhares de rondonienses, chegou à data marcada para receber propostas com um resultado inesperado: nenhuma empresa apareceu para disputar o projeto.
A concessão regionalizada dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário abrangia 40 municípios de Rondônia. A sessão de recebimento dos documentos ocorreu nesta terça-feira (22), na B3, em São Paulo, e o procedimento acabou declarado deserto, situação que ocorre quando não há interessados no certame.
O resultado chama ainda mais atenção porque aconteceu depois de uma intensa discussão judicial em torno da licitação. Uma liminar havia suspendido o procedimento, mas o presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador Alexandre Miguel, autorizou a continuidade do processo na véspera da entrega das propostas.
Superada a barreira judicial, porém, surgiu outra — e talvez mais complexa: a falta de interesse do mercado.
Para a população, a discussão vai muito além dos bilhões previstos no projeto.
Água chegando regularmente às torneiras e coleta e tratamento de esgoto continuam entre os desafios estruturais de diversos municípios rondonienses. É justamente por isso que o fracasso desta etapa do processo merece atenção.
A partir de agora, o ponto central deixa de ser apenas o motivo de nenhuma empresa ter apresentado proposta e passa a ser qual será a próxima estratégia para viabilizar os investimentos previstos no saneamento.
Uma licitação desse tamanho terminar sem concorrentes pode levar à reavaliação de condições econômicas, técnicas ou regulatórias antes de uma eventual nova tentativa.
O que não pode desaparecer junto com o leilão é o problema que motivou sua criação.
Para milhares de famílias, saneamento não é uma discussão de mercado financeiro ou de contratos bilionários. É água na torneira, esgoto tratado, saúde pública e qualidade de vida.
E, depois de terça-feira, Rondônia tem uma pergunta de R$ 8,47 bilhões para responder: por que ninguém quis assumir o projeto e o que será feito daqui para frente?




















