PORTO VELHO — O céu ainda pode estar limpo em boa parte da capital, mas o cenário desenhado para os próximos meses preocupa. Porto Velho entrou no período mais delicado do verão amazônico sob influência do El Niño e com a possibilidade de enfrentar uma estiagem mais intensa e prolongada.
Estudos e monitoramentos citados pela Defesa Civil e pela Prefeitura indicam que os efeitos do fenômeno podem avançar pelos próximos meses e chegar ao início de 2027. A combinação é conhecida dos rondonienses: menos chuva, temperaturas elevadas, umidade baixa, queda no nível dos rios e ambiente cada vez mais favorável à propagação do fogo.
E há um fantasma recente que ninguém em Porto Velho esqueceu.
Em 2024, a capital viveu dias em que a fumaça tomou conta da cidade, prejudicando a qualidade do ar e transformando atividades simples, como caminhar pelas ruas ou manter as janelas abertas, em um problema.
O quadro de 2026, porém, começa com um dado positivo: entre janeiro e maio foram contabilizados 22 focos de queimadas em Porto Velho, contra 106 no mesmo período de 2025, uma redução de 79,2%.
Isso não significa que o risco passou.
Pelo contrário.
O período crítico da estiagem amazônica acontece justamente no segundo semestre. Com vegetação mais seca, pouca chuva e temperaturas elevadas, um único foco provocado de maneira irregular pode ganhar grandes proporções.
Outro termômetro da situação está diante dos olhos dos moradores: o rio Madeira. Em julho, a Defesa Civil municipal já informava nível próximo de 7 metros, com possibilidade de redução gradual nos meses seguintes.
A queda afeta muito mais do que a paisagem.
Comunidades ribeirinhas, navegação, transporte de mercadorias, produção rural e famílias do Baixo Madeira estão entre os primeiros setores atingidos quando a estiagem se intensifica.
Porto Velho, portanto, entra agora em uma espécie de corrida contra o tempo.




















