Publicidade

MPF pede R$ 3,6 milhões após indígenas Puruborá sofrerem intoxicação por agrotóxicos em Rondônia

Adultos e crianças apresentaram lesões graves na pele, náuseas e dores de cabeça; rio utilizado pela comunidade teria sido contaminado por defensivos agrícolas

MPF pede R$ 3,6 milhões após indígenas Puruborá sofrerem intoxicação por agrotóxicos em Rondônia

Uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF) expôs um cenário alarmante de supostos danos ambientais, violação de direitos indígenas e contaminação por agrotóxicos no interior de Rondônia. O órgão pede na Justiça a condenação de dois produtores rurais e do proprietário de uma área agrícola ao pagamento de R$ 3,6 milhões em indenizações por prejuízos causados ao povo indígena Puruborá, que vive na aldeia Aperoí.

Publicidade

Segundo a ação, os indígenas sofreram intoxicação após aplicações de agrotóxicos realizadas em lavouras localizadas nas proximidades do território tradicional. Adultos e crianças teriam apresentado lesões severas na pele, além de sintomas como dores de cabeça, náuseas e mal-estar. Em um dos casos relatados, uma família precisou abandonar a própria residência devido à exposição contínua aos produtos químicos utilizados na região.

Os alvos da ação são Wanderson Batista de Moraes, proprietário da área, e os produtores Raijan Cezar Mascarello e Vitor Hugo Talini Mascarello, que arrendam a propriedade para cultivo agrícola. O MPF sustenta que a atividade desenvolvida pelos réus provocou impactos diretos sobre a saúde dos indígenas e sobre o meio ambiente.

Rio contaminado e mortandade de peixes

De acordo com as investigações, o rio Manoel Correia, utilizado pelas famílias Puruborá para abastecimento de água, pesca e subsistência, também teria sido atingido pela contaminação.

O MPF aponta que os produtores abriram valas artificiais de drenagem dentro da lavoura sem autorização dos órgãos ambientais e em desacordo com normas que protegem Áreas de Preservação Permanente (APPs). Com isso, águas contaminadas por resíduos agrícolas teriam sido direcionadas para o curso do rio.

Além dos impactos à saúde humana, a comunidade denunciou a mortandade de peixes e a degradação de um dos principais recursos naturais utilizados pelos indígenas.

Patrimônio arqueológico também teria sido destruído

Outro ponto destacado na ação envolve danos ao patrimônio histórico e cultural da região. Durante inspeções realizadas no local, técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) identificaram fragmentos de cerâmicas ancestrais pertencentes ao Sítio Arqueológico Puruborá.

Segundo o relatório, parte desse material histórico teria sido danificada por operações mecanizadas realizadas com tratores e máquinas agrícolas sobre a área.

Conflito agrário e episódios de violência

A disputa ocorre em meio ao processo de demarcação do território tradicional Puruborá, conduzido pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O procedimento tem sido marcado por conflitos e resistência de proprietários rurais da região.

O Ministério Público Federal relata que, durante os trabalhos de identificação territorial, ocorreram episódios de violência. Em uma das ocorrências registradas, disparos de arma de fogo atingiram uma residência indígena.

A tensão aumentou ainda mais em outubro de 2025, quando uma maloca considerada sagrada para o povo Puruborá foi destruída por um incêndio criminoso. O caso é investigado pela Polícia Federal.

Na época, lideranças indígenas classificaram o episódio como um ataque direto à identidade do povo.

“Esse incêndio não destruiu apenas uma estrutura física. Foi uma tentativa de apagar nossa história e nossa força como povo”, declarou uma liderança da comunidade.

MPF pede reparação milionária

Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público Federal requer que os acusados sejam responsabilizados pelos danos ambientais, culturais e coletivos causados à comunidade indígena.

O valor total das indenizações solicitadas chega a R$ 3,6 milhões. O processo tramita na Justiça Federal e os acusados terão oportunidade de apresentar defesa.

O caso chama atenção para o avanço dos conflitos envolvendo povos indígenas, preservação ambiental e produção agrícola em Rondônia, tema que segue gerando repercussão nacional e mobilizando órgãos federais de fiscalização e proteção dos direitos humanos.

Publicidade

Você também vai querer ler...

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.