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Rondônia paga caro para voar: passagens entre as mais caras do Brasil e escassez de voos preocupam passageiros e setor produtivo

A consequência é sentida diariamente por quem precisa viajar a trabalho, realizar tratamentos de saúde, estudar ou simplesmente visitar familiares.

Rondônia paga caro para voar: passagens entre as mais caras do Brasil e escassez de voos preocupam passageiros e setor produtivo

Viajar de avião saindo de Rondônia tornou-se um desafio que vai muito além de escolher datas e horários. Para milhares de rondonienses, o maior obstáculo está no preço das passagens e na pequena oferta de voos, uma combinação que, segundo especialistas e autoridades, acaba isolando o Estado do restante do país.

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Dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) colocam Rondônia entre os estados com as tarifas aéreas mais elevadas do Brasil. Em levantamento referente a 2025, o Estado aparece com a segunda passagem aérea mais cara do país, atrás apenas de Roraima. A tarifa média ficou em torno de R$ 1.280, praticamente o dobro da média nacional registrada pela própria ANAC em diversos períodos analisados.

A consequência é sentida diariamente por quem precisa viajar a trabalho, realizar tratamentos de saúde, estudar ou simplesmente visitar familiares.

Poucos voos, pouca concorrência

Um dos principais fatores apontados para os preços elevados é a baixa concorrência entre companhias aéreas.

Com poucas empresas operando em Rondônia e uma malha aérea reduzida, o consumidor acaba tendo poucas alternativas. Em muitos casos, quem perde um voo precisa esperar horas ou até o dia seguinte por outra opção.

Além disso, diversas rotas diretas foram reduzidas nos últimos anos, obrigando passageiros a fazer conexões longas em Brasília, São Paulo ou Cuiabá para chegar a destinos relativamente próximos.

Na prática, isso aumenta o tempo de viagem, eleva os custos e reduz a competitividade do Estado.

Casos que revoltam passageiros

O problema chegou a chamar atenção nacional quando levantamentos mostraram passagens de quase R$ 5 mil para um voo entre Porto Velho e Manaus, um trajeto com duração inferior a uma hora.

Em outros casos apresentados durante audiência judicial promovida pelo Ministério Público de Rondônia, passagens de ida e volta chegaram a superar R$ 9 mil, valores considerados incompatíveis para trechos domésticos.

Impacto vai muito além do turismo

O problema não afeta apenas quem pretende viajar.

Empresários afirmam que os custos elevados dificultam a chegada de investidores, reduzem o turismo de negócios e tornam Rondônia menos competitiva em relação a outros estados.

Universidades, hospitais, empresas e órgãos públicos também acabam sofrendo com a dificuldade de deslocamento de profissionais e especialistas.

Para quem vive no interior da Amazônia, o transporte aéreo muitas vezes não representa um luxo, mas uma necessidade.

Ministério Público cobra providências

A situação já motivou uma Ação Civil Pública e diversas audiências conduzidas pelo Ministério Público de Rondônia.

Durante uma dessas audiências, foram apresentados dados sobre preços elevados, atrasos frequentes, cancelamentos e redução da oferta de voos. O MP pediu explicações às companhias aéreas e à ANAC, buscando medidas para ampliar a concorrência e melhorar a prestação do serviço.

O que pode mudar?

Especialistas do setor apontam que a principal solução passa pelo aumento da concorrência.

Mais companhias operando em Rondônia significam maior oferta de assentos, novas rotas e, consequentemente, maior pressão para redução dos preços.

Enquanto isso não acontece, milhares de passageiros continuam enfrentando uma realidade que parece distante do restante do país: poucas opções de voos, tarifas elevadas e uma sensação crescente de isolamento.

Para um estado estratégico na Amazônia, que depende da integração com os grandes centros econômicos, o desafio vai muito além do transporte aéreo. Trata-se de uma questão de desenvolvimento econômico, turismo, investimentos e qualidade de vida para toda a população.

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