O Ministério da Saúde oficializou, nesta sexta-feira (13), a ampliação do uso da doxiciclina 100 mg no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir de agora, o antibiótico não será apenas uma ferramenta de tratamento, mas também de prevenção, funcionando como uma Profilaxia Pós-Exposição (PEP). A medida visa reduzir a transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) bacterianas, especificamente a sífilis e a clamídia, em populações com maior risco de exposição.

A incorporação da tecnologia foi aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e publicada em portaria no Diário Oficial da União. Com a nova diretriz, as áreas técnicas do sistema público de saúde têm um prazo de até 180 dias para organizar a logística e efetivar a oferta do medicamento em unidades de saúde de todo o país.
Entenda as infecções combatidas
A estratégia foca em duas das infecções bacterianas mais comuns, que podem trazer complicações graves se não evitadas ou tratadas precocemente:
Sífilis: Causada pela bactéria Treponema pallidum, pode manifestar-se em estágios que vão desde lesões genitais (primária) até complicações neurológicas e cardiovasculares (terciária). A transmissão ocorre por contato sexual sem preservativo ou de forma vertical (da gestante para o bebê).
Clamídia: Afeta órgãos genitais, garganta e olhos. É transmitida pelo contato sexual ou de forma congênita. Se não tratada, pode comprometer a fertilidade e causar infecções crônicas nos órgãos reprodutores de homens e mulheres.
Prevenção e acesso
A inclusão da doxiciclina no protocolo preventivo amplia o arsenal do SUS contra as ISTs, somando-se às estratégias já existentes para HIV e hepatites virais. É importante ressaltar que a profilaxia pós-exposição é uma medida de redução de danos e não substitui o uso do preservativo, que permanece como o método mais eficaz de prevenção primária.
Com a publicação da portaria, estados e municípios devem iniciar o planejamento para a distribuição do fármaco. O Ministério da Saúde reforça que a sífilis e a clamídia são curáveis, mas a prevenção é fundamental para evitar complicações de longo prazo e a transmissão congênita.





















