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A pré-campanha ao governo de Rondônia começa a ganhar contornos mais claros e também mais contraditórios. O ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, nome do PSD na disputa, tem intensificado suas agendas pelo Estado e, junto com elas, um discurso crítico em relação à atual gestão estadual.

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Em entrevistas recentes, Fúria tem apontado problemas na saúde pública, cobrado reforço no efetivo da Polícia Militar e criticado a situação de rodovias e infraestrutura. São pautas legítimas, que refletem demandas reais da população. O ponto que chama atenção, no entanto, é o fato de que essas críticas recaem diretamente sobre o governo que ele próprio afirma representar.

Fúria é, hoje, o principal nome ligado ao governador Coronel Marcos Rocha, que já declarou publicamente que o ex-prefeito é seu sucessor político. Rocha, vale lembrar, tem origem na Polícia Militar e construiu boa parte de sua imagem justamente na área da segurança uma das mais criticadas agora pelo aliado. Ao questionar áreas centrais da atual gestão, Fúria acaba, inevitavelmente, abrindo uma distância entre o discurso de continuidade e a prática adotada no palanque.

Esse movimento expõe um dilema comum em períodos pré-eleitorais: até que ponto um pré-candidato pode se apresentar como continuidade e, ao mesmo tempo, criticar a base que o sustenta? A resposta ainda não está clara. Mas o que já se percebe é que o eleitor, cada vez mais atento, tende a cobrar coerência entre discurso e posicionamento.

No fim das contas, mais do que ataques ou defesas, o que está em jogo é a clareza do projeto apresentado. Se a proposta é continuidade, espera-se alinhamento. Se é mudança, é preciso assumir. Ficar no meio do caminho pode custar caro politicamente.

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