Na política, até a “25ª hora” pode mudar tudo. E foi praticamente no último instante que o PSB de Rondônia viu ruir a estratégia eleitoral construída pelo diretório estadual para a disputa deste ano.
Depois de realizar convenção, aprovar chapa e apresentar Samuel Costa como candidato ao Governo de Rondônia, o partido sofreu uma intervenção determinada pela direção nacional. A medida derrubou as decisões tomadas regionalmente e retirou do tabuleiro não apenas Samuel, mas também Sargento Machado, escolhido para vice, e Neidinha Suruí, que havia sido lançada ao Senado.
A reviravolta aconteceu a poucas horas do encerramento do prazo decisivo para os registros e mudou completamente a configuração da aliança envolvendo PSB e PT em Rondônia.
Convenção virou pó
Sob o comando estadual do advogado e professor Vinicius Miguel, o PSB havia realizado sua convenção e definido a chapa que pretendia apresentar ao eleitorado rondoniense.
Samuel Costa encabeçaria a disputa pelo Palácio Rio Madeira/CPA. Sargento Machado ocuparia a vaga de vice e Neidinha Suruí seria o nome da legenda para o Senado.
O partido também havia definido candidaturas para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa.
Samuel chegou a classificar a convenção como um “ato jurídico perfeito”, sustentando publicamente que as decisões partidárias haviam seguido todos os procedimentos necessários.
Nada disso, porém, foi suficiente para impedir a intervenção.
Em uma decisão de cima para baixo, o comando nacional do PSB desfez o arranjo construído pelo diretório rondoniense e mudou completamente o rumo da legenda no Estado.
PT vence queda de braço
Nos bastidores, a mudança atende diretamente aos interesses do Partido dos Trabalhadores em Rondônia.
O PT lançou Expedito Netto para a disputa pelo Governo e trabalhou para impedir que o PSB mantivesse uma candidatura própria, situação que fragmentaria o campo político das duas legendas no Estado.
A articulação chegou ao comando nacional do PSB e terminou com a intervenção no diretório rondoniense.
Com a retirada de Samuel Costa, Expedito Netto passa a ser o nome para o Governo dentro da composição envolvendo as duas siglas. No Senado, a mudança também beneficia Luciana Oliveira, enquanto Neidinha Suruí é retirada da disputa pela chapa inicialmente construída pelo PSB estadual.
Foi uma vitória política do PT nos bastidores e, ao mesmo tempo, uma dura derrota para o grupo que comandava a estratégia eleitoral do PSB em Rondônia.
Samuel e Neidinha denunciaram articulação
A possibilidade de intervenção já circulava nos bastidores antes da decisão definitiva.
Samuel Costa foi à mídia denunciar a movimentação e deixou claro que existia uma articulação para retirar sua candidatura.
Neidinha Suruí também reagiu. Em vídeo divulgado antes do desfecho, denunciou o que classificou como um conluio contra sua candidatura e criticou a possibilidade de ser retirada da disputa ao Senado.
As manifestações, contudo, não conseguiram impedir a decisão nacional.
O comando do PSB bancou a intervenção.
Da vitrine nacional para fora da eleição
A situação de Samuel Costa chama ainda mais atenção porque sua candidatura chegou a receber espaço nos canais nacionais do próprio PSB.
Até poucas horas antes da reviravolta, ele se apresentava como candidato e demonstrava confiança no desempenho eleitoral.
“As pesquisas já iriam apontar que estou na frente do candidato do PT”, declarou Samuel ainda na tarde de sexta-feira.
Poucas horas depois, o cenário era completamente diferente.
A candidatura que havia sido aprovada em convenção estava derrubada.
O vice estava fora.
A candidatura de Neidinha ao Senado também.
E a estratégia eleitoral construída pelo diretório estadual havia sido desmontada por determinação nacional.
A canetada da última hora
O episódio expõe uma das faces mais duras da política partidária: decisões construídas durante meses podem desaparecer em questão de horas quando interesses nacionais e alianças eleitorais entram em rota de colisão com os diretórios estaduais.
Samuel Costa acreditava estar protegido pela convenção realizada pelo PSB e pelo que classificava como um “ato jurídico perfeito”.
Não estava.
A intervenção nacional mostrou que a disputa nunca esteve limitada ao território rondoniense.
Nos bastidores, o PT pressionou. O comando nacional do PSB decidiu. E o diretório regional perdeu a queda de braço.
Quando a poeira baixou, Samuel Costa, Sargento Machado e Neidinha Suruí estavam fora da chapa que haviam acabado de construir.
Expedito Netto saiu fortalecido como candidato ao Governo na composição.
Luciana Oliveira ficou com o caminho aberto para o Senado.
E o PSB de Rondônia terminou a noite mergulhado em uma das maiores reviravoltas desta eleição.
Na política, como se sabe, nada é definitivo.
Nem mesmo quando a convenção já terminou.




















