Porto Velho volta a entrar em estado de atenção com um velho e perigoso inimigo do período de estiagem: o fogo.
Depois de começar 2026 apresentando números positivos na redução dos focos de incêndio, a chegada do período mais seco trouxe novamente uma sequência de ocorrências para dentro e para os arredores da Capital.
Dados divulgados recentemente pela Prefeitura mostram que 146 ocorrências de focos de incêndio já foram atendidas entre julho e agosto, com maior concentração na Zona Leste de Porto Velho.
O número ganha ainda mais importância quando confrontado com o histórico da Capital.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), reunidos no plano de contingência municipal, mostram que, entre 2015 e 2024, Porto Velho registrou 34.437 focos de calor.
E justamente os meses que estamos atravessando representam o período de maior perigo.
Somente em agosto foram contabilizados, ao longo daqueles dez anos, 13.758 focos de calor. Setembro aparece logo depois, com outros 12.721 registros.
Isso significa que agosto e setembro, juntos, concentraram mais de 26 mil focos no período analisado.
O fogo volta quando a chuva desaparece
Não se trata de coincidência.
O período compreendido entre julho e outubro é justamente aquele em que a redução das chuvas cria condições mais favoráveis para que incêndios se espalhem rapidamente pela vegetação seca.
O problema atinge tanto áreas rurais quanto o perímetro urbano.
Terrenos com vegetação seca, áreas de pastagem e locais utilizados para descarte irregular de resíduos podem se transformar rapidamente em pontos de incêndio, espalhando fumaça por bairros inteiros.
Além do dano ambiental, há outro problema que o porto-velhense conhece muito bem: respirar pode se tornar cada vez mais difícil à medida que a fumaça aumenta.
Crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis aos efeitos da poluição atmosférica estão entre os grupos que exigem maior atenção durante o período das queimadas.
Porto Velho ainda carrega a lembrança de 2024
A preocupação não é exagerada.
Há apenas dois anos, Porto Velho viveu uma das situações ambientais mais dramáticas de sua história recente.
Em agosto de 2024, uma gigantesca camada de fumaça encobriu a cidade. A qualidade do ar chegou a níveis perigosos e a falta de visibilidade provocada pelas queimadas chegou a afetar as operações do Aeroporto Internacional de Porto Velho, provocando cancelamentos e desvios de voos.
A situação se tornou tão grave que, naquele mês, o Município decretou situação de emergência ambiental em decorrência da estiagem e do aumento dos focos de incêndio e queimadas.
Aquele cenário permanece como um alerta do que pode acontecer quando seca, calor, baixa umidade e incêndios se encontram.
2026 começou melhor
Há, entretanto, uma diferença importante.
Porto Velho iniciou 2026 em situação melhor do que em períodos anteriores. Dados divulgados em maio pela administração municipal apontavam redução de 79,2% nos focos de incêndio entre janeiro e maio deste ano.
Era uma notícia extremamente positiva.
O problema é que o verdadeiro teste começa justamente agora.
Agosto e setembro são historicamente os meses mais perigosos para Porto Velho, e as 146 ocorrências atendidas entre julho e agosto mostram que não existe espaço para baixar a guarda.
Combate agora é também no bolso
Outra mudança importante está na legislação.
Porto Velho endureceu as punições relacionadas às queimadas ilegais. A nova legislação municipal ampliou as possibilidades de responsabilização e estabeleceu penalidades que, nos casos mais graves previstos na norma, podem chegar a R$ 10 milhões.
É uma tentativa de enfrentar uma prática que, além de destruir vegetação, coloca em risco imóveis, animais e a própria saúde da população.
Porque o problema das queimadas deixou há muito tempo de ser exclusivamente ambiental.
Quando Porto Velho é tomada pela fumaça, o impacto chega às casas, às escolas, às unidades de saúde, ao trânsito e até ao aeroporto.
As próximas semanas serão decisivas
O momento, portanto, é de atenção máxima.
Porto Velho está entrando exatamente na janela histórica de maior incidência de focos de calor. Agosto ainda não terminou e setembro, segundo o histórico do próprio município, também costuma apresentar números elevados.
Depois do pesadelo vivido em 2024, ninguém quer novamente olhar para o horizonte e encontrar uma cidade escondida atrás de uma gigantesca cortina de fumaça.
Os números de 2026 mostram que houve avanço na prevenção.
As 146 ocorrências registradas entre julho e agosto, porém, deixam um recado igualmente claro:
o fogo voltou — e as semanas mais perigosas da temporada de queimadas ainda estão em curso.




















