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Às margens da BR-364, Distrito Industrial entra em nova fase e Porto Velho tenta atrair empresas com imposto menor

Nova legislação reduz gradualmente alíquota do ISSQN e reacende discussão sobre um antigo desafio da capital: transformar localização estratégica em indústria, emprego e renda

Às margens da BR-364, Distrito Industrial entra em nova fase e Porto Velho tenta atrair empresas com imposto menor

Porto Velho tem localização privilegiada no mapa logístico da Amazônia, ligação rodoviária pela BR-364, acesso ao rio Madeira e proximidade com importantes corredores de exportação. Mesmo assim, transformar essas vantagens em industrialização sempre foi um dos grandes desafios econômicos da capital de Rondônia.

Uma mudança recente tenta alterar parte desse cenário. Empresas instaladas ou interessadas em se instalar no Distrito Industrial, localizado no km 17 da BR-364, passam a contar com novas regras para obtenção de incentivos fiscais municipais.

A Lei Complementar nº 1.079 estabelece redução gradual do ISSQN para empresas que cumprirem os requisitos. Em 2026, a alíquota prevista é de 2,5%. Para 2027, cai para 2% e, em 2028, chega a 1,5%.

O movimento ocorre em um momento em que Porto Velho tenta fortalecer seu ambiente de negócios e diminuir a dependência histórica da administração pública como grande motor da economia local.

A questão central, porém, vai além de reduzir impostos.

O grande teste será saber se Porto Velho conseguirá converter incentivo fiscal em fábricas, centros de distribuição, beneficiamento da produção regional e empregos permanentes. Rondônia produz carne, soja, milho, café, pescado e uma extensa variedade de produtos, mas parte significativa da riqueza gerada pelas etapas de transformação ainda pode ocorrer fora do estado.

Industrializar significa justamente tentar manter uma parcela maior desse dinheiro dentro de Rondônia.

Nesse cenário, a combinação entre Distrito Industrial, BR-364 e hidrovia do Madeira pode representar uma oportunidade maior do que simplesmente conceder desconto tributário.

Se conseguir atrair investimentos capazes de transformar matéria-prima rondoniense antes de ela deixar o estado, Porto Velho poderá começar a mudar uma velha lógica: deixar de ser apenas ponto de passagem da produção para se tornar também lugar onde a riqueza é processada, comercializada e multiplicada.

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