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Entre ofensas e informações inverídicas Fúria gera dois direitos de resposta a adversários em debate da REMA TV

Insinuações contra Samuel Costa e a atribuição de R$ 14 milhões em emenda individual a Marcos Rogério levaram a banca formada por advogados da OAB a conceder manifestações adicionais aos dois candidatos

Entre ofensas e informações inverídicas Fúria gera dois direitos de resposta a adversários em debate da REMA TV

O candidato ao Governo de Rondônia Adaílton Fúria protagonizou dois episódios que resultaram na concessão de direitos de resposta a adversários durante o debate promovido pela REMA TV na terça-feira, 1º de setembro. O primeiro envolveu Samuel Costa, depois de Fúria sugerir que o concorrente poderia estar recebendo dinheiro de alguém durante o período eleitoral. O segundo beneficiou Marcos Rogério, que contestou a afirmação de que teria destinado R$ 14 milhões de uma emenda individual para a construção de um museu em Brasília.

Os dois casos ocorreram em momentos diferentes da transmissão e foram submetidos à banca julgadora formada por advogados da Ordem dos Advogados do Brasil em Rondônia. A mediação informou, diante das câmeras, que os pedidos apresentados pelas assessorias de Samuel e Rogério haviam sido acolhidos. A banca não detalhou publicamente a fundamentação de cada decisão, mas autorizou um minuto adicional para cada candidato responder às declarações de Fúria.

A tensão com Samuel começou quando o candidato perguntou qual espaço Expedito Júnior ocuparia em uma eventual administração de Fúria. A questão foi formulada dentro de uma abordagem sobre a composição política da candidatura, o apoio do governador Marcos Rocha e a aproximação entre grupos que estiveram em posições antagônicas na eleição de 2018.

Fúria respondeu que Expedito Júnior não teria espaço em seu governo e acrescentou que Marcos Rocha também não participaria de sua eventual administração. Segundo ele, o governador era um apoiador entre outros nomes, mas a candidatura havia sido construída a partir da trajetória iniciada quando deixou a Assembleia Legislativa para disputar a Prefeitura de Cacoal.

A resposta passou do esclarecimento político para a insinuação pessoal quando Fúria questionou a relevância da pergunta e levantou a possibilidade de Samuel estar sendo remunerado por alguém. “Não sei se o senhor está tendo alguém, está sendo pago por alguém, não sei”, declarou. Nenhum elemento comprobatório foi apresentado naquele momento para sustentar a suspeita.

Samuel utilizou a réplica para negar que tivesse problema financeiro, afirmou possuir patrimônio maior que o de Fúria e voltou a cobrar explicações sobre Expedito Júnior e Marcos Rocha. Também acusou o adversário de abandonar aliados e mencionou suposto uso da estrutura pública e pressão sobre servidores comissionados para participar da campanha. As declarações de Samuel permaneceram no debate como acusações políticas, sem demonstração documental durante o confronto.

Fúria reagiu dizendo que o encontro parecia armado e que Samuel havia chegado preparado para fazer aquele tipo de questionamento. Também afirmou que o concorrente poderia ter algum “problema espiritual” com Marcos Rocha. Posteriormente, a banca concedeu ao próprio Fúria um direito de resposta em razão das falas feitas contra ele. O candidato aproveitou o minuto para declarar que vinha sendo alvo de ataques de páginas patrocinadas por políticos e de adversários que repetiam as mesmas perguntas.

O fato de Fúria ter recebido um direito de resposta naquele primeiro confronto não impediu que o embate fosse retomado mais de uma hora depois. Samuel voltou a perguntar sobre a relação entre a candidatura de Fúria e o governo Marcos Rocha. Desta vez, solicitou que o adversário apontasse uma secretaria que substituiria integralmente e identificasse ações positivas da atual administração que seriam mantidas.

Fúria não indicou nominalmente uma secretaria que trocaria. Afirmou que havia muitas coisas corretas no governo e outras que precisavam melhorar, mencionando segurança pública, saúde e educação. Em seguida, voltou a dizer que Samuel aparentava ter algum problema “espiritual” com Marcos Rocha, sugeriu a realização de um debate entre os dois e dedicou parte da resposta à própria trajetória pessoal.

O candidato relatou ter engraxado sapatos, vendido picolés e trabalhado como repositor de mercado. Disse ter cursado a “faculdade da vida” e ressaltou a experiência como vereador, deputado estadual e prefeito de Cacoal durante a pandemia. Também citou divergências que manteve com Marcos Rocha naquele período, incluindo decretos distintos sobre o funcionamento do comércio.

Samuel utilizou a réplica para chamar Fúria de “Pikachu, todo brabinho” e insistiu que o candidato não assumia politicamente os principais aliados. Ainda acusou servidores comissionados de estarem sendo coagidos a balançar bandeiras em semáforos. A afirmação também não foi acompanhada de documentos durante o debate.

Na tréplica, Fúria disse que qualquer servidor coagido deveria procurar o Ministério Público. Depois, afirmou que Samuel não respeitava as pessoas e mencionou uma comparação que o candidato teria feito envolvendo o governador em outro debate. Foi na sequência que repetiu e ampliou a suspeita financeira.

“Nós precisamos investigar se o senhor está ganhando dinheiro de alguém. Provavelmente, porque o seu histórico e o que eu ouvi por aí é que isso acontece todo ano eleitoral”, afirmou Fúria. A acusação foi baseada expressamente no que o candidato disse ter ouvido e não em documentos apresentados na transmissão.

A assessoria de Samuel solicitou direito de resposta. A banca da OAB analisou e deferiu o pedido. Ao receber o minuto adicional, Samuel negou ter recebido dinheiro, declarou que seus recursos eram registrados e colocou os sigilos bancário e fiscal à disposição. Também cobrou de Fúria explicações sobre operações da Polícia Civil realizadas durante a administração de Cacoal, mencionando “Draco 1 e Draco 2”. A referência de Samuel às operações não demonstrou, por si só, responsabilidade pessoal de Fúria por eventuais irregularidades.

O outro direito de resposta concedido a um adversário de Fúria teve origem no confronto com Marcos Rogério. O senador havia perguntado quais medidas o candidato adotaria para atender os distritos de Rondônia. Fúria iniciou a resposta questionando o que chamou de falta de atenção de Rogério com Ji-Paraná e defendeu a estadualização do hospital municipal da cidade.

Marcos Rogério respondeu que a regionalização da saúde em Ji-Paraná teria sido impedida pelo governo que apoiava a candidatura de Fúria. Também afirmou que o Hospital Regional de Cacoal enfrentava problemas e devolveu ao adversário a oportunidade de responder à pergunta original sobre os distritos.

Na tréplica, Fúria abandonou o assunto principal e passou a acusar Rogério de ter destinado R$ 14 milhões para um museu em Brasília. “O senhor pegou R$ 14 milhões em 2020 e aplicou no museu em Brasília. O senhor pegou R$ 14 milhões do seu orçamento individual”, declarou. Ele repetiu a cifra e questionou como o eleitor poderia acreditar nas propostas apresentadas pelo senador.

A acusação voltou a aparecer poucos minutos depois, quando Fúria foi sorteado para perguntar a Pedro Abib sobre saúde materno-infantil. Antes de formular a pergunta ao candidato, ele pediu à equipe de redes sociais que publicasse um extrato e repetiu que Rogério havia encaminhado R$ 14 milhões de uma emenda individual para a construção do museu.

Fúria mencionou o preço do saco de cimento naquele período e afirmou que Rogério poderia ter construído um museu em Rondônia, mas teria preferido fazê-lo em Brasília. Somente depois dessa exposição dirigiu a pergunta sobre saúde a Pedro Abib.

A resposta abriu outro confronto desfavorável a Fúria. Abib apresentou indicadores sobre mortalidade infantil e materna, associou a candidatura do adversário ao governo Marcos Rocha e afirmou que Fúria havia entregue um hospital incompleto em Cacoal a poucos dias de deixar a prefeitura. Também declarou que os leitos de UTI mencionados pelo ex-prefeito já não existiam.

Fúria rebateu dizendo que havia transformado a maternidade de Cacoal e sustentou que o local chegara a registrar de 15 a 20 mortes de bebês por ano. Afirmou que, depois das mudanças realizadas, a unidade alcançou taxa zero de mortalidade e recebeu equipamentos modernos. Abib respondeu que era necessário analisar “os dados e a realidade, não narrativas” e voltou a questionar a entrega do hospital no fim da gestão. As duas versões permaneceram em confronto, sem verificação independente durante o programa.

Após um intervalo, a mediação anunciou que a assessoria de Marcos Rogério havia solicitado direito de resposta e que a banca da OAB concedera um minuto. Rogério qualificou a declaração de Fúria como “desinformação” e “fake news”. Segundo ele, sua emenda para o Museu da Bíblia no Distrito Federal foi de R$ 500 mil, enquanto outros deputados e senadores também destinaram recursos ao projeto a pedido da Sociedade Bíblica do Brasil.

Rogério acrescentou que a Justiça já havia retirado outras publicações falsas atribuídas à campanha de Fúria. Tratava-se da manifestação do próprio candidato durante o direito de resposta; a banca apenas anunciou a concessão do tempo, sem apresentar publicamente uma verificação detalhada dos valores.

Mesmo depois da resposta, Fúria retomou o assunto em outro bloco. Antes de perguntar a Abib sobre segurança pública, afirmou que o “museu de R$ 14 milhões” estava registrado no Transferegov e que o registro aparecia em nome de Marcos Rogério, com uma primeira etapa superior a R$ 2 milhões. A transmissão não exibiu o documento citado nem ofereceu nova comparação entre o valor total do projeto e a participação individual atribuída ao senador.

Fúria ainda enfrentou uma divergência com Expedito Netto sobre recursos enviados a Cacoal. Netto afirmou ter contribuído para creches do município quando deputado federal. Fúria respondeu que aquelas unidades não haviam recebido recursos parlamentares de Netto e que os R$ 12 milhões enviados eram destinados à aquisição de equipamentos. Netto contestou, declarou que os R$ 12 milhões correspondiam apenas a uma rubrica e sustentou ter encaminhado quantias maiores, inclusive valores cuja aplicação poderia ser definida pela prefeitura. Nenhum dos dois exibiu documentos durante aquele confronto.

Ao final do debate, o saldo objetivo dos episódios foi a concessão de dois direitos de resposta a adversários por manifestações de Fúria. Samuel recebeu tempo depois de ser apontado, com base em comentários que Fúria disse ter ouvido, como possível beneficiário de pagamentos eleitorais. Marcos Rogério recebeu o mesmo instrumento após ser responsabilizado por uma emenda individual de R$ 14 milhões, cifra que contestou ao atribuir R$ 500 mil à própria participação.

Fúria conseguiu apresentar propostas e defender realizações de Cacoal em diferentes momentos da transmissão. Nos confrontos de maior tensão, porém, parte do tempo que poderia ser utilizado para discutir distritos, secretarias estaduais, saúde ou segurança foi consumida por insinuações pessoais, acusações sem documentos expostos e números contraditados pelos adversários. Foram essas declarações, e não as propostas administrativas, que produziram os dois minutos adicionais concedidos pela banca a Samuel Costa e Marcos Rogério.

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