Quem vazou a Operação Reduto? PF tenta reconstruir caminho de informação sigilosa que chegou a investigados em Rondônia

Investigação ganhou novo capítulo após PF e Gaeco cumprirem 11 mandados; autoridades querem identificar origem e cadeia de transmissão de informações protegidas por segredo de Justiça

Quem vazou a Operação Reduto? PF tenta reconstruir caminho de informação sigilosa que chegou a investigados em Rondônia

PORTO VELHO (RO) — Uma pergunta está no centro de uma das investigações de maior repercussão política e policial em Rondônia: como informações sigilosas sobre a Operação Reduto chegaram aos investigados antes do cumprimento das ordens judiciais?

A Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Rondônia (Gaeco/MPRO) abriram uma frente específica para esclarecer o vazamento.

Na sexta-feira (18), uma operação conjunta cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Porto Velho e Ariquemes, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Rondônia.

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis crimes de violação de sigilo funcional, obstrução de investigação de organização criminosa e fraude processual. É importante ressaltar que a apuração está em andamento e a existência de investigação ou mandado não representa condenação dos envolvidos.

Informação teria chegado antes da operação

O ponto mais sensível divulgado oficialmente pela PF é justamente o que ocorreu antes da deflagração da Operação Reduto.

De acordo com a instituição, informações protegidas por segredo de Justiça teriam chegado ao conhecimento de alvos na noite anterior ao cumprimento das ordens judiciais.

A partir dessa constatação, investigadores passaram a apurar não apenas quem recebeu a informação, mas principalmente de onde ela saiu e por quais pessoas passou até chegar aos destinatários.

A própria PF informou que as medidas adotadas buscam identificar a “origem e a cadeia de transmissão” das informações sigilosas.

Celulares formatados e mudança de locais

A investigação aponta ainda para comportamentos que, segundo a PF, teriam ocorrido após o vazamento.

Entre as ações descritas oficialmente estão desocupação de residências, ocultação, substituição e formatação de aparelhos celulares, transporte de antena de internet via satélite e tentativa de hospedagem em nome de terceiro.

Essas circunstâncias são investigadas como possíveis manobras destinadas a dificultar o trabalho das autoridades.

Agora, uma das questões centrais é saber se o material recolhido nos mandados permitirá reconstruir o caminho percorrido pela informação.

Investigação ainda pode avançar

A operação realizada na sexta-feira não representa o encerramento do caso.

Ao contrário: os equipamentos, documentos e demais elementos eventualmente apreendidos podem ser submetidos a perícia e cruzamento de informações.

Caso sejam encontrados novos elementos, a investigação poderá avançar sobre outros envolvidos, sempre mediante as medidas legais cabíveis.

A apuração coloca sob atenção um problema particularmente grave para o sistema de Justiça: o vazamento antecipado de uma operação protegida por segredo judicial.

A partir de agora, a resposta buscada pela PF e pelo Ministério Público é objetiva: quem teve acesso à informação e como ela chegou aos investigados antes da operação?

O JH Notícias continuará acompanhando os desdobramentos do caso.

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