Porto Velho (RO) — Uma chuva forte, a correnteza de um igarapé e uma tragédia que interrompeu precocemente a vida de uma criança. A morte de Gabriel Piscinati de Souza, de apenas 4 anos, em Ji-Paraná, no último sábado (31), provocou comoção e trouxe à tona uma discussão urgente: até que ponto as cidades de Rondônia estão preparadas para proteger a população dos perigos provocados pelas chuvas intensas?
O menino foi arrastado pela correnteza de um igarapé nas proximidades da Rua Primeiro de Maio, no bairro Dom Bosco, durante um temporal que atingiu o município.
Segundo informações divulgadas sobre a ocorrência, a criança acabou sendo levada para uma tubulação de drenagem instalada sob a via.
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e realizaram buscas. Gabriel chegou a ser resgatado e encaminhado ao hospital, mas não resistiu.
A morte deixou uma família enlutada e reacendeu o alerta para riscos que podem surgir repentinamente durante temporais.
O perigo que aparece com a chuva
Em cidades cortadas por igarapés e canais de drenagem, a elevação rápida do nível da água pode transformar locais aparentemente tranquilos em áreas de grande risco.
A força da correnteza pode surpreender até mesmo adultos. Para crianças, a vulnerabilidade é ainda maior.
Bueiros, galerias pluviais, tubulações e canais tornam-se especialmente perigosos quando há grande volume de água.
A tragédia registrada em Ji-Paraná evidencia a necessidade de atenção permanente às condições desses espaços, principalmente em áreas residenciais próximas a cursos d’água.
Porto Velho também enfrenta desafios
Na capital, os problemas relacionados ao escoamento da água são conhecidos pela população.
Com a aproximação do período chuvoso, a Prefeitura de Porto Velho intensificou intervenções no sistema de drenagem urbana.
Segundo dados municipais, foram instaladas 508 manilhas e tubos em serviços realizados entre setembro e outubro de 2026.
As intervenções contemplaram sete bairros e localidades, entre eles Cidade do Lobo, Três Marias, Baixa União, Centro, Teixeirão, Castanheira e Nacional.
Os trabalhos têm como objetivo melhorar o escoamento das águas pluviais e diminuir os transtornos provocados pelo acúmulo de água nas vias.
Entretanto, a manutenção dos sistemas de drenagem precisa ser acompanhada de medidas de segurança, fiscalização e identificação de pontos que ofereçam riscos à população.
Prevenção precisa ir além da limpeza
A retirada de lixo dos bueiros e a manutenção dos canais são fundamentais, mas não substituem a necessidade de avaliar a segurança das estruturas.
Áreas próximas a igarapés, tubulações de grande porte e pontos de forte correnteza exigem atenção especial.
Entre as medidas que merecem avaliação estão a instalação de barreiras de proteção onde tecnicamente indicadas, a sinalização de áreas perigosas e o monitoramento de locais vulneráveis durante as chuvas.
Também é essencial orientar famílias sobre os riscos de permitir que crianças se aproximem de canais, córregos e enxurradas.
Uma tragédia que exige reflexão
A morte de Gabriel não pode ser tratada apenas como mais uma ocorrência provocada pelo mau tempo.
O episódio representa uma perda irreparável e reforça a importância de discutir segurança urbana e prevenção de acidentes.
As circunstâncias específicas do caso ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades competentes. Não é possível atribuir responsabilidade por eventual falha de infraestrutura sem investigação técnica.
Ainda assim, a tragédia demonstra como situações de risco podem ter consequências devastadoras.
Com a chegada das chuvas, municípios de Rondônia precisam redobrar os cuidados com canais, igarapés, drenagens e áreas de circulação próximas à água.
Para as famílias, fica o alerta sobre a força das enxurradas e a importância de manter crianças afastadas de locais perigosos durante temporais.
A vida de Gabriel foi interrompida aos quatro anos. Que a dor provocada por essa perda contribua para ampliar a conscientização e fortalecer medidas capazes de evitar novas tragédias.




















