Porto Velho (RO) — Por trás da extração ilegal de ouro no Rio Madeira existe uma estrutura que movimenta equipamentos milionários e desperta questionamentos sobre quem realmente financia a atividade. A dimensão econômica do garimpo clandestino voltou ao centro das atenções após uma grande ofensiva da Polícia Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Na última sexta-feira (30), as forças federais realizaram a segunda fase da Operação Nêmesis, atingindo dragas que operavam sem autorização no trecho do Rio Madeira localizado acima da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho.
Segundo a Polícia Federal, as estruturas utilizadas na extração de ouro possuem valor médio estimado superior a R$ 4 milhões por unidade.
O elevado custo dos equipamentos indica, na avaliação dos investigadores, uma atividade organizada e com capacidade de exploração mineral em larga escala.
Operação atinge estrutura milionária
A ofensiva começou no dia 27 de outubro, quando agentes federais inutilizaram 72 embarcações e equipamentos empregados na extração ilegal de ouro entre os distritos de Calama e São Carlos.
Entre os materiais atingidos estavam 17 dragas, rebocadores, voadeiras, motores e bombas utilizadas nas atividades de mineração.
Na primeira etapa, também foram inutilizados aproximadamente 16 mil litros de óleo diesel e apreendidos frascos de mercúrio e aparelhos celulares.
Três dias depois, a Polícia Federal e o Ibama realizaram uma nova intervenção, dessa vez em áreas próximas à Usina de Jirau.
Os agentes identificaram estruturas que funcionavam sem Permissão de Lavra Garimpeira e sem licenciamento ambiental.
Mercúrio representa ameaça às comunidades
Durante a segunda operação, os agentes encontraram mercúrio metálico, armas de fogo e equipamentos utilizados no processo de separação do ouro.
Antes de inutilizar as dragas, as equipes recolheram as substâncias nocivas encontradas a bordo, evitando seu lançamento no rio durante a intervenção.
O mercúrio é uma substância altamente tóxica e pode representar graves riscos ao meio ambiente e à saúde humana.
Sua utilização irregular na mineração preocupa especialmente as comunidades ribeirinhas e indígenas que dependem dos recursos naturais do Rio Madeira.
A contaminação dos organismos aquáticos pode atingir a cadeia alimentar, especialmente por meio do consumo de peixes contaminados.
Embora a operação tenha identificado mercúrio nas estruturas, a extensão de eventual contaminação na região fiscalizada depende de análises ambientais específicas.
Quem está por trás do garimpo ilegal?
Uma das principais questões levantadas pela operação envolve o financiamento da atividade.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações continuam para identificar proprietários das estruturas, financiadores, operadores logísticos, fornecedores de mercúrio e possíveis compradores do ouro extraído ilegalmente.
O objetivo é alcançar não apenas quem atua diretamente nas dragas, mas também os responsáveis pela sustentação econômica da exploração clandestina.
A movimentação de equipamentos avaliados em milhões de reais evidencia a complexidade da atividade e a necessidade de ap




















