BRASIL — O drama vivido pelo especialista em aviação Lito Sousa ganhou um novo e doloroso capítulo. Diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma enfermidade neurodegenerativa rara e atualmente sem tratamento curativo estabelecido, Lito enfrenta uma corrida contra o relógio enquanto sua família tenta conseguir acesso a uma pesquisa experimental nos Estados Unidos.
A situação tornou-se ainda mais preocupante nos últimos dias.
Segundo Mila Seidl, esposa de Lito, ele apresentou nova perda da visão durante o fim de semana. A progressão rápida da doença fez com que a família intensificasse os pedidos de ajuda para conseguir uma vaga em estudos clínicos internacionais.
Cada dia pode fazer diferença
Lito está na lista de espera de um estudo ligado à Universidade Harvard, mas, segundo informações divulgadas pela família, novas admissões estão previstas apenas para outubro.
O problema é justamente o tempo.
Mila informou que Lito já atingiu 16 pontos em uma escala cujo limite para admissão no estudo é 20. Conforme a doença progride, cresce o temor de que ele deixe de preencher os critérios necessários antes que uma vaga esteja disponível.
A família também busca acesso ao ION717, medicamento experimental que está sendo estudado para doenças priônicas. A mobilização ganhou as redes sociais, com apoiadores marcando instituições, pesquisadores e autoridades na tentativa de ampliar a repercussão do caso.
É importante destacar: trata-se de uma terapia experimental, e não de uma cura comprovada para a doença.
“O que ele perdeu não volta”
A frase utilizada pela esposa de Lito traduz a angústia enfrentada pela família.
A DCJ está associada a proteínas anormais chamadas príons, capazes de provocar danos progressivos ao cérebro. Entre as manifestações possíveis estão comprometimento da coordenação, visão, memória e outras funções neurológicas.
No caso de Lito, a velocidade da deterioração é justamente o que provoca desespero.
A família passou a pedir não apenas apoio dos seguidores, mas também atuação do Itamaraty e do governo federal, na esperança de facilitar o acesso a instituições e pesquisadores no exterior.
O Brasil abraçou Lito
A mobilização ultrapassou as redes sociais.
Nesta segunda-feira (24), o piloto brasileiro Enderson Rafael realizou uma homenagem que emocionou milhares de seguidores. Durante aproximadamente três horas de voo no Texas, nos Estados Unidos, ele utilizou a trajetória de um Cessna 150M para desenhar o nome “Lito” no céu.
O voo pôde ser acompanhado por plataformas de rastreamento de aeronaves.
O gesto simbolizou algo que ficou evidente nos últimos dias: Lito não enfrenta essa batalha sozinho.
Conhecido pelo trabalho de divulgação da aviação através do canal Aviões e Músicas, ele construiu ao longo dos anos uma comunidade de admiradores que agora tenta transformar audiência em mobilização.
Uma corrida em que o adversário é o relógio
Não existe, neste momento, garantia de que o tratamento experimental interrompa a doença. Também não é possível afirmar que Lito conseguirá uma vaga no estudo.
Mas existe uma família tentando abrir todas as portas possíveis enquanto ainda há tempo.
E talvez seja exatamente por isso que o caso tenha sensibilizado tanto o país.
Durante anos, Lito explicou acidentes, aviões e os mistérios da aviação para milhões de brasileiros.
Agora, são milhões de brasileiros que acompanham, torcem e esperam que a ciência consiga oferecer a ele uma oportunidade.
JH Notícias




















