Siga nossas redes sociais

Terça-feira, 26/10/2021

JH Notícias

Lei do passe livre intermunicipal para pessoas com câncer

Brasil

Entenda a doença rara que matou menino de 10 anos durante brincadeira

Nicollas Rafael sofreu uma parada cardíaca devido a uma doença rara que a família desconhecia. Doença causa hipertrofia do coração e pode se desenvolver de forma silenciosa, conforme explica especialista.

WhatsApp
Banner publicitário Refis-Semfaz Porto Velho

O menino de 10 anos que morreu após ter um mal súbito enquanto brincava com amigos em Cubatão (SP) tinha uma doença rara denominada miocardiopatia hipertrófica assimétrica. Porém, a doença só foi descoberta após a morte de Nicollas Rafael, já que esta miocardiopatia pode se desenvolver de forma silenciosa, conforme explicou um especialista ao jornal nesta terça-feira (14).

O menino passou mal enquanto brincava, chegou a pedir água para os amigos, ficou fraco e desmaiou. As crianças chamaram os responsáveis e a família o levou para o Pronto Socorro Infantil de Cubatão. Eles chegaram no local pouco antes de 0h, porém, a 0h50, a morte do menino foi confirmada.

A princípio, os médicos relataram à família que a morte havia sido motivada por causas naturais. No entanto, após exames, foi constatado que ele teve uma insuficiência cardíaca e um edema agudo pulmonar bilateral, que causa acúmulo de líquido no tecido pulmonar, desencadeado pela miocardiopatia hipertrófica assimétrica.

O cardiologista Luiz Cláudio Behrmann Martins, especialista em arritmia cardíaca da Santa Casa de Santos, explica que nesta doença ocorre a significativa hipertrofia (crescimento) da região septal do coração, além de alguns casos ocorrer a dilatação dos ventrículos – câmaras do coração que bombeiam sangue para a circulação sistémica, no caso do ventrículo esquerdo, e para a circulação pulmonar, com relação ao ventrículo direito.

“Na verdade, afeta a região do septo, que é a parte que divide as cavidades do coração. É a região septal do músculo que cresce, e isso pode obstruir o fluxo de saída do ventrículo esquerdo, que é o que faz desenvolver os sintomas relacionados a insuficiência cardíaca no paciente”, diz.

Imagem divulgada pelo Ministério da Saúde explica que, na cardiomiopatia hipertrófica, os ventrículos do coração ficam espessados, mas não conseguem bombear sangue suficiente para o corpo — Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

Conforme explica o médico especialista, a doença é genética, com herança autossômica dominante, ou seja, tanto o pai quanto a mãe podem ter. A incidência anual da doença é de 0,3 a 0,5 casos a cada 100 mil crianças, sendo considerada uma doença rara. Porém, no adulto é mais comum sua incidência. Como a doença está associada a fatores genéticos, não tem prevenção, mas a pessoa que tem caso na família deve fazer acompanhamento médico.

“Pode crescer tanto o ventrículo esquerdo, como também o direito”, diz o cardiologista. Conforme destaca o Ministério da Saúde, as paredes espessas e rígidas dos ventrículos não relaxam de maneira adequada para permitir que as câmaras cardíacas se encham de sangue. Essa dificuldade se torna mais grave quando o coração bate aceleradamente (como durante atividades físicas), pois, nesse caso, há ainda muito menos tempo para o coração se encher.

“Por não se encher suficientemente, o coração bombeia menos sangue a cada batimento. Às vezes, as paredes espessas do coração também interferem na saída do fluxo sanguíneo. Como as paredes ventriculares se espessam, a válvula mitral pode não conseguir se fechar normalmente, o que resulta em refluxo ou vazamento de sangue para o átrio esquerdo. Em geral, esse vazamento e as paredes ventriculares expandidas provocam sopros cardíacos. E, podem ocorrer ritmos cardíacos anormais que podem provocar morte súbita”, explica o órgão de Saúde.

Entre os principais fatores que sugerem risco maior de morte estão septo acima de 30 mm, desmaio ou perda temporária e súbita de consciência de causa arrítmica nos parentes de primeiro grau com menos de 30 anos e quando tem arritmia ventricular sustentada documentada no holter de 24 horas [aparelho que monitora o batimento cardíaco], conforme explica o cardiologista.

Tratamento e sintomas
Os sintomas mais comuns são falta de ar, desmaios e dor no peito – ambos durante ou após esforço físico. Para garantir o diagnóstico da doença, o cardiologista destaca a importância de procurar atendimento especializado caso sinta alguns destes sintomas e, mesmo que não sinta, fazer periodicamente eletrocardiograma. Em caso da prática de exercícios físicos, ele destaca que também é importante fazer antes um raio-x do tórax e o teste ergométrico nos indivíduos acima de 35 anos.

Segundo o médico, caso a criança tivesse sobrevivido a parada cardíaca, ela provavelmente teria que colocar o Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI), e usá-lo durante a vida toda na região submuscular torácica esquerda. Conforme explica, o aparelho é um marca passo que tem função de reverter a arritmia ventricular da doença.

“O ecofetal pode dizer se a criança já nasce com a doença, mas há possibilidade da pessoa desenvolvê-la só mais velha, o que será identificado pelo eletrocardiograma e o ecocardiograma”, destaca Luiz Cláudio Behrmann.

Imagem de Nicollas brincando com o vídeo game que havia ganhado há poucos dias, em Cubatão, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Além do uso do CDI, o Ministério da Saúde destaca que o uso de betabloqueadores e o bloqueador dos canais de cálcio verapamil – tomados em conjunto ou separadamente – são o principal tratamento. Segundo o órgão, ambos reduzem a força de contração do músculo cardíaco. Como resultado, o coração consegue se encher melhor e, caso o músculo espesso estivesse bloqueando o fluxo sanguíneo, o sangue pode sair do coração mais facilmente.

Além disso, o Ministério da Saúde explica que betabloqueadores e verapamil reduzem a frequência cardíaca e, assim, o coração tem mais tempo para se encher. Às vezes, também se utiliza disopiramida, um medicamento que diminui a força das contrações cardíacas.

De acordo com o cardiologista, a morte súbita pode ser a primeira manifestação da doença, e é mais frequente em crianças e jovens, durante o exercício físico. Além disso, o médico explica que a miocardiopatia hipertrófica assimétrica é a principal causa de morte súbita no esforço físico em pessoas abaixo de 35 anos.

Lei do passe livre intermunicipal para pessoas com câncer

Curtiu? Siga o JH NOTÍCIAS no Facebook, Instagram e no Twitter.

Entre no nosso Grupo do WhatsApp e receba as últimas notícias de Rondônia.

Por G1

Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Publicidade JR Consultoria Financeira Porto Velho
Publicidade Lei do passe livre intermunicipal para pessoas com câncer
Publicidade
Publicidade Banner publicitário Refis-Semfaz Porto Velho
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Mais em Brasil

Compartilhe esta notícia: