Justiça inicia julgamento criminal da tragédia de Brumadinho após sete anos

As audiências de instrução começam em fevereiro na Justiça Federal de Belo Horizonte para ouvir 15 réus acusados pelo rompimento da barragem que vitimou 272 pessoas.

O rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, entra em uma fase decisiva na esfera judicial após 2.557 dias de impunidade. A partir do dia 23 de fevereiro, a 2ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte inicia as audiências de instrução que devem se estender até maio de 2027.

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Quinze pessoas serão ouvidas como réus, incluindo ex-diretores e gerentes da mineradora Vale e funcionários da consultoria alemã TÜV SÜD. A juíza responsável pelo caso decidirá, ao fim deste período, se os acusados serão levados a júri popular pelos crimes cometidos na Mina Córrego do Feijão.

Especialistas e familiares das vítimas classificam o episódio como uma “tragédia-crime”. Críticos do setor de mineração apontam que o desastre reflete uma busca negligente por lucro em detrimento da segurança, agravada por uma fiscalização governamental burocrática que aceita documentos das empresas sem vistorias técnicas presenciais.

A Vale afirma que não comenta processos em tramitação, mas destaca que já executou 81% das ações previstas no Acordo Judicial de Reparação Integral. Já a TÜV SÜD nega responsabilidade legal, sustentando que as declarações de estabilidade emitidas na época estavam em conformidade com as normas técnicas vigentes.

Neste domingo, a associação de familiares Avabrum realiza um ato em memória das vítimas na entrada da cidade de Brumadinho. O evento reforça a cobrança por punição criminal, traçando paralelos com outros desastres ambientais no Brasil que permanecem sem a devida responsabilização dos envolvidos.

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