Números revelam desequilíbrio entre emprego formal e Bolsa Família em diversos estados

O cenário levanta um alerta sobre o rumo da economia e o modelo de assistência social adotado no país.

Os números mais recentes sobre emprego e programas sociais revelam um retrato preocupante da realidade brasileira. Em pelo menos dez estados, o total de pessoas que dependem do Bolsa Família já supera e em alguns casos quase dobra o número de trabalhadores com emprego formal. O cenário levanta um alerta sobre o rumo da economia e o modelo de assistência social adotado no país.

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Na prática, uma parcela cada vez menor da população sustenta a máquina pública por meio do trabalho formal e do pagamento de impostos, enquanto milhões sobrevivem com recursos oriundos do governo federal. O desequilíbrio é mais acentuado em estados historicamente marcados pela pobreza e pela baixa industrialização.

Estados onde o Bolsa Família supera o emprego formal

O caso mais extremo ocorre no Maranhão. Governado há décadas por grupos políticos tradicionais, o estado contabiliza mais de 1 milhão e 255 mil beneficiários do Bolsa Família, contra menos de 581 mil trabalhadores com carteira assinada. Na prática, são mais que o dobro de dependentes do programa social em relação aos empregados formais.

Situação semelhante é observada no Piauí, onde cerca de 641 mil pessoas recebem o benefício, enquanto menos de 315 mil possuem vínculo formal de trabalho. Já o Pará, um dos maiores estados do país, soma aproximadamente 1 milhão 341 mil beneficiários do Bolsa Família, frente a menos de 855 mil trabalhadores formais.

No Acre, o quadro também chama atenção: mais de 134 mil pessoas dependem do programa social, enquanto apenas cerca de 92 mil têm emprego com carteira assinada.

Esses números evidenciam uma economia fragilizada, com baixa geração de emprego e forte dependência de políticas assistenciais para garantir a subsistência de grande parte da população.

Rondônia foge à regra

Em meio a esse cenário, Rondônia aparece como uma exceção no Norte e Nordeste. Segundo dados oficiais do ano passado, o estado possui aproximadamente 127 mil beneficiários do Bolsa Família, enquanto o número de trabalhadores formais chega a cerca de 307 mil.

Isso significa que Rondônia tem mais de duas vezes e meia o número de trabalhadores com carteira assinada em relação aos dependentes do programa social, uma realidade distinta da maioria dos estados da região. O dado indica uma base econômica mais equilibrada, com maior capacidade de geração de emprego formal.

Um alerta para o futuro

O avanço da dependência de programas sociais, quando não acompanhado de políticas eficazes de geração de emprego e renda, acende um sinal de alerta. Sem crescimento econômico sustentável, qualificação profissional e estímulo ao setor produtivo, o país corre o risco de ampliar ainda mais o número de cidadãos dependentes do Estado.

O desafio está em transformar a assistência social em ponte para o mercado de trabalho, e não em destino permanente. Caso contrário, o desequilíbrio entre quem produz e quem depende do sistema tende a se aprofundar, com impactos diretos nas contas públicas e na própria estrutura social do Brasil.

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