A escalada da violência voltou a acender o alerta em Porto Velho. Em menos de uma semana, confrontos entre facções criminosas e execuções atribuídas a esses grupos resultaram em cinco mortes na capital, incluindo dois episódios com duas vítimas cada. Os números recentes reforçam a sensação de insegurança e evidenciam um problema que vai além da atuação policial.

As forças de segurança têm reagido, intensificado operações e ampliado a presença ostensiva. Ainda assim, o efeito é temporário. A raiz da crise, segundo relatos recorrentes de moradores, está na rápida saída de criminosos do sistema prisional, favorecida por leis que permitem a soltura em curto espaço de tempo. Muitos retornam às mesmas áreas e retomam o controle territorial.
Facções impõem regras onde o Estado não chega
Nos grandes conjuntos habitacionais, especialmente nos mais populosos, a realidade é conhecida por quem vive ali. Em regiões como o Orgulho do Madeira e áreas próximas, com população estimada em mais de 12 mil moradores, a presença das facções é constante. Quando a polícia entra, os criminosos se dispersam. Pouco depois, retornam e reforçam o domínio, muitas vezes com retaliações contra quem tentou denunciar.
Relatos de moradores indicam que, no ano passado, grupos criminosos chegaram a impor regras de convivência, com ordens afixadas em prédios e punições para quem descumprisse determinações impostas informalmente. Há também denúncias de famílias forçadas a deixar seus apartamentos, que passam a ser usados por integrantes das facções ou por aliados. Situações semelhantes são registradas em outras regiões do país.
Um problema nacional, com reflexos locais
O cenário observado em Porto Velho não é isolado. A combinação de superlotação do sistema prisional, legislação permissiva e ausência contínua do Estado em áreas vulneráveis cria um ambiente favorável à expansão do crime organizado. Enquanto isso, moradores vivem sob tensão permanente, com medo de denunciar e sofrer represálias.
A expectativa da população é por uma resposta mais ampla e estrutural, que vá além das operações pontuais. O enfrentamento efetivo do crime organizado, segundo especialistas e lideranças comunitárias, passa por mudanças legais, fortalecimento do sistema penal e presença constante do poder público nas áreas mais afetadas.
Até que isso aconteça, a promessa de segurança plena segue distante para milhares de famílias que convivem diariamente com a violência e a imposição do medo.





















