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Rondônia viveu nesta semana uma cena rara, mas extremamente simbólica. Com a impossibilidade do vice e do presidente da Assembleia assumirem o governo, quem sentou na cadeira mais importante do Estado foi o presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, Alexandre Miguel. Tudo dentro da Constituição. Tudo legal. Mas nem tudo é normal.

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Quando a linha sucessória falha, não é apenas um detalhe burocrático. É um sinal claro de que o sistema político está travado por interesses, estratégias e, principalmente, pelo peso da legislação eleitoral. Ninguém quer correr risco. Ninguém quer se expor. E, no fim, quem assume é quem está fora do jogo político direto.

O governador Marcos Rocha fez o correto ao garantir a continuidade administrativa. Não há erro nisso. Mas o cenário que se desenhou escancara um problema maior. Estamos diante de uma política cada vez mais calculada, onde decisões institucionais passam pelo filtro do medo eleitoral.

O vice-governador e o presidente da Assembleia abriram mão de assumir o Estado. Direito deles. Mas também é legítimo questionar o que leva duas das principais autoridades políticas a recusarem, ao mesmo tempo, a responsabilidade de governar, ainda que por poucos dias.

A verdade é simples. A política hoje não é mais sobre ocupar espaços, mas sobre evitar riscos. E isso cobra um preço alto. Quando lideranças começam a recuar, o vazio é preenchido por quem não foi eleito para aquela função, ainda que tenha total legitimidade legal para isso.

O episódio não é crise. Mas é um alerta. Rondônia precisa de lideranças que não apenas disputem o poder, mas que estejam dispostas a exercê-lo em qualquer circunstância.

Porque, no fim das contas, governar não é só querer chegar. É ter coragem de assumir quando for preciso.

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