Rondônia está prestes a entrar em um novo mercado da economia nacional: a produção de etanol a partir do milho. Uma usina em implantação no município de Cerejeiras, na região Sul do Estado, tem previsão de iniciar as operações em 2027, com capacidade estimada de produzir 170 milhões de litros de etanol por ano.
O empreendimento é apontado como um dos maiores investimentos privados já realizados em Rondônia, ficando atrás, em dimensão, dos grandes projetos das usinas do rio Madeira.
Mais de 400 operários trabalham dia e noite na construção da usina, que avança para cumprir o cronograma previsto para o início das operações em 2027.
Quando estiver concluído e em funcionamento, o empreendimento deverá gerar mais de 2 mil empregos diretos e indiretos, ampliando a cadeia econômica ligada à produção de milho, combustível e nutrição animal.
A escolha de Cerejeiras não foi por acaso, segundo a direção da usina, a região reúne dois fatores considerados estratégicos para a implantação do projeto: uma forte produção de milho, que será utilizada como matéria-prima, e uma área de floresta plantada, que contribuiu para acelerar os procedimentos relacionados à implantação e às questões ambientais.
De acordo com o diretor de produção da usina, Marcelo Lucas, o projeto começou a ser desenvolvido em 2019, depois que os investidores acompanharam o crescimento da produção de etanol de milho em Mato Grosso.
“Em 2019 nós observamos essa movimentação do Mato Grosso, que passou a utilizar grandes áreas de plantação de milho para produzir etanol. A partir daí elaboramos o projeto e começamos a colocar em execução. Com a pandemia, ele acabou ficando travado até 2024, quando retomamos com força total”, explicou.
A previsão é que a produção comece em 2027 e seja destinada principalmente ao mercado rondoniense. A expectativa é de que o aumento da oferta regional de etanol amplie a concorrência no setor e possa pressionar os preços do combustível para baixo.
Atualmente, em Rondônia, o etanol chega a ter preços próximos aos da gasolina em determinados períodos, o que reduz a vantagem econômica para o consumidor.
Além do combustível, a indústria terá outro produto de grande importância para a economia regional: o DDG (Dried Distillers Grains), resíduo resultante da produção de etanol de milho e utilizado na nutrição animal.
Segundo Marcelo Lucas, o subproduto deverá atender principalmente a cadeia pecuária de Rondônia, mas também poderá ser utilizado na alimentação de aves e peixes.
“Vamos fornecer principalmente para a pecuária do nosso Estado, também para frango e peixe. Como nós temos uma pecuária muito forte, provavelmente o DDG será utilizado principalmente na pecuária”, afirmou.
A chegada da usina coloca Rondônia em uma cadeia industrial que já ganhou escala em outros estados produtores de milho. Além de transformar parte da produção agrícola local em combustível, o empreendimento cria um novo mercado para o milho rondoniense, gera empregos e agrega outro produto à cadeia do agronegócio.
Se o cronograma for mantido, 2027 marcará o início de uma nova fase para a economia de Rondônia, com o Estado passando a produzir combustível renovável em escala industrial.




















