Por trás do anúncio da construção de 20 novas creches em Porto Velho existe um número que chama ainda mais atenção: a capital possui uma necessidade estimada de 23.525 vagas na educação infantil, mas atualmente oferece 13.562. É um déficit próximo de 10 mil vagas, mostrando o tamanho da pressão enfrentada por famílias que precisam de um lugar para deixar os filhos enquanto trabalham.
Para tentar diminuir essa diferença, a Prefeitura estrutura uma Parceria Público-Privada que prevê 3.801 novas vagas em 17 bairros. O investimento inicial estimado do parceiro privado será de R$ 150,5 milhões. As unidades deverão contar com berçário, lactário, fraldário, salas climatizadas, refeitório, espaços de recreação e acessibilidade.
O modelo chama atenção também pelo tamanho do compromisso financeiro de longo prazo. A projeção apresentada pelo Município aponta custo total de aproximadamente R$ 980 milhões ao longo de 25 anos, em valores trazidos para o presente. Pelo modelo tradicional, a estimativa seria de R$ 1,082 bilhão. A Prefeitura calcula, portanto, uma economia de aproximadamente R$ 102 milhões com a PPP.
Existe ainda uma diferença importante: as creches continuarão públicas e gratuitas. Professores, matrículas, alimentação, projeto pedagógico e gestão permanecerão sob responsabilidade municipal. A empresa privada ficará responsável pela construção e por serviços como manutenção, limpeza, segurança, lavanderia, internet e conservação. O pagamento público só começa depois que a primeira unidade estiver pronta e funcionando.
Mesmo com as 3.801 novas vagas, entretanto, o problema não desaparece. Considerando apenas os números apresentados no diagnóstico municipal, ainda permaneceria uma diferença superior a 6 mil vagas caso a demanda atual permanecesse no mesmo patamar. É justamente aí que está o grande desafio: as 20 creches representam uma expansão expressiva, mas Porto Velho terá de continuar aumentando sua rede se quiser finalmente virar uma página histórica na educação infantil.




















