Crise no topo do poder: ruptura entre Marcos Rocha e Sérgio Gonçalves expõe fragilidade política no governo de Rondônia

O Palácio virou um território onde versões circulam mais rápido do que decisões oficiais.

Há momentos na política em que não é preciso um rompimento formal para que tudo fique claro. Basta observar o silêncio, os gestos atravessados e as decisões que deixam de ser combinadas. É exatamente aí que se encontra hoje a relação entre o governador Marcos Rocha e o vice Sérgio Gonçalves.

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O desgaste não surgiu de um fato isolado. Foi sendo construído aos poucos, na soma de decisões apressadas, egos mal administrados e, principalmente, na incapacidade de ambos de impor limites claros ao próprio entorno. E isso, em política, costuma cobrar um preço alto.

O Palácio virou um território onde versões circulam mais rápido do que decisões oficiais. Quando isso acontece, ninguém governa de fato. Assessores passam a falar demais, aliados interpretam sinais onde não existem e adversários agradecem. O resultado é um governo conduzido por ruídos.

Faltou o básico: instinto de autopreservação. Em vez de blindar a relação institucional, deixou-se espaço para que vaidades crescessem e fofocas ganhassem status de informação estratégica. Quando o governante não organiza o ambiente ao seu redor, alguém faz isso por ele quase sempre com interesses próprios.

O problema não é apenas a relação pessoal entre governador e vice. O problema é o efeito disso na governabilidade. Um governo que transmite divisão perde força política, fragiliza sua base e abre flancos desnecessários num momento em que estabilidade deveria ser prioridade.

Na política, não existe vácuo. Se o comando falha, o entorno assume. E quando o entorno governa, o governo já perdeu o controle do próprio destino.

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