Tem alguma coisa muito errada e não é pouco.

Hoje, você consegue comprar uma passagem de ida e volta entre São Paulo e Lisboa, cruzando o Oceano Atlântico, por cerca de R$ 5.409. São quase 8 mil quilômetros de viagem, em um voo internacional, confortável, estruturado, com duração de mais de seis horas.
Agora segura essa:
Um voo entre Cuiabá e Cacoal, com pouco mais de 960 quilômetros e pouco mais de uma hora de duração, vai custar absurdos R$ 9.406,48.
Sim, você leu certo.
É mais caro voar dentro de Rondônia do que ir para a Europa.
E não para por aí.
Um trecho entre Nova York, em voo de mais de 7 horas, percorrendo quase 6 mil quilômetros, sai hoje por cerca de R$ 2.211. Aviões modernos, rotas consolidadas, concorrência forte.
Enquanto isso, aqui, um voo entre Cuiabá e Ji-Paraná — pouco mais de mil quilômetros — vai custar R$ 8.660.
É quatro vezes mais caro.
Quatro.
Isso não é mercado. Isso é abuso.
E o pior: todo mundo sabe, mas ninguém resolve.
A malha aérea da região Norte sempre foi tratada como secundária. Pouca concorrência, poucos voos, baixa fiscalização e liberdade total para as companhias fazerem o que quiserem com o bolso da população.
O resultado é esse: o rondoniense pagando preço de luxo por um serviço básico.
O Instituto Escudo Coletivo, liderado pelo advogado Gabriel Tomasete, já se manifestou e promete levar o caso à Justiça. E não é a primeira vez que isso acontece. Em decisões anteriores, o próprio Judiciário já deixou claro que tarifas precisam ter alguma coerência com outras regiões.
Mas, na prática, nada muda.
E a pergunta que fica é inevitável:
Onde está a ANAC?
O órgão que deveria regular, fiscalizar e proteger o consumidor simplesmente não aparece. Nenhuma manifestação. Nenhuma explicação. Nenhuma ação.
Enquanto isso, quem precisa viajar — seja por trabalho, saúde ou necessidade familiar — fica refém.
Refém de preços que não fazem sentido.
Refém de um sistema que não respeita o consumidor.
Refém de um silêncio que já virou rotina.
Voar em Rondônia deixou de ser transporte.
Virou privilégio.
E dos caros.
As informação são da coluna Opinião de Primeira.























