Publicidade
SICOOB

As ligações clandestinas de energia elétrica, popularmente conhecidas como “gatos”, continuam a gerar prejuízos na casa dos bilhões de reais no Brasil. Além de provocar severas interrupções no fornecimento, o furto de eletricidade impacta diretamente o bolso do cidadão, encarecendo o preço final das tarifas. O emaranhado de fios nas redes de distribuição expõe um problema que afeta o equilíbrio econômico do setor e a segurança da população.

Publicidade

Dados consolidados pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) revelam que, em 2024, foram desviados mais de 22,5 bilhões de kWh no território nacional. O montante equivale a quase o dobro de toda a produção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a segunda maior do país, e seria suficiente para abastecer a Região Sudeste por um mês. No ranking proporcional dos estados, o Amazonas lidera as perdas: de cada R$ 100 cobrados na conta, R$ 35 são perdidos em furtos. O Amapá ocupa a segunda posição com R$ 22 de perda, seguido por Rio de Janeiro, Pará, Rondônia e Pernambuco.

Os impactos dos desvios extrapolam o âmbito financeiro das concessionárias. As fiações clandestinas sobrecarregam os transformadores e provocam incêndios e quedas de energia, especialmente nos períodos de maior consumo. No ano passado, as fraudes técnicas causaram 620 mil apagões em todo o país, prejudicando o fornecimento de pelo menos 2,1 milhões de residências e estabelecimentos comerciais.

Em termos financeiros, as distribuidoras registraram um prejuízo de R$ 10 bilhões em 2025 devido aos furtos. Essa perda acaba sendo dividida com os consumidores que pagam suas faturas regularmente. De acordo com as estimativas das empresas do setor, o impacto repassado para a conta de luz dos clientes regulares chega a quase 3% do valor total da cobrança mensal, funcionando como um subsídio forçado da criminalidade.

A presidência da Abradee destaca que o problema se concentra de maneira acentuada em áreas de restrição operativa, muitas vezes dominadas por organizações criminosas. Nessas comunidades conflagradas, as equipes técnicas das distribuidoras enfrentam barreiras e são impedidas de realizar inspeções rotineiras, necessitando do apoio das forças de segurança do Estado para identificar e desmantelar as fraudes na rede.

No entanto, as irregularidades não se restringem a comunidades de baixa renda. Em Salvador, operações policiais identificaram um desvio de grande porte em uma fábrica de bebidas energéticas, com volume capaz de abastecer 3.200 casas por duas semanas. No Rio de Janeiro, agentes flagraram ligações clandestinas estruturadas para alimentar carregadores de veículos elétricos de alto padrão.

Entre as empresas afetadas, a concessionária fluminense Light apresenta o maior índice de perdas do mercado nacional, registrando 22% de energia furtada em sua área de cobertura, que abrange 31 municípios fluminenses. A diretoria de distribuição da companhia informou que realizou mais de 140 mil cortes e regularizações no último ano. Mesmo com o volume de fiscalizações, o montante de energia desperdiçado na região equivale ao consumo anual de uma cidade com 80 mil habitantes.

Especialistas e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) reiteram que as ligações clandestinas se transformaram em uma vertente complexa de segurança pública. O isolamento de áreas controladas por facções impede a prestação de serviços essenciais, deixando os moradores vulneráveis a cobranças paralelas ilegais por milícias. O furto de energia é tipificado como crime pelo Código Penal Brasileiro, prevendo penas que variam de um a oito anos de reclusão.

Publicidade
Publicidade

Você também vai querer ler...

Caixa inicia pagamento do Bolsa Família de maio

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.