A instalação de 31 novos radares ao longo da BR-364, no trecho de cerca de 700 quilômetros entre Porto Velho e Vilhena, reacendeu um antigo debate em Rondônia, afinal, a medida é necessária para salvar vidas ou representa apenas mais um peso no bolso do motorista?

A reação foi imediata. Parte dos condutores e também alguns parlamentares criticaram a quantidade de equipamentos, classificando a iniciativa como exagerada e levantando suspeitas sobre um possível viés arrecadatório. Para esse grupo, o aumento da fiscalização eletrônica pode transformar a rodovia em um corredor de multas.
Por outro lado, os dados oficiais mostram um cenário preocupante. Segundo o DNIT, mais de 90% dos acidentes fatais registrados na BR-364 têm como causa principal a falha humana. Entre os fatores mais comuns estão o excesso de velocidade e as ultrapassagens em locais proibidos duas condutas diretamente combatidas pelos radares.
A rodovia, que corta o estado de ponta a ponta, acumula um histórico pesado de acidentes. Em uma das últimas estatísticas oficiais divulgadas, foram registradas 175 mortes em um único ano, a maioria no trecho entre a capital e o sul do estado.
Os novos radares foram instalados tanto em áreas urbanas quanto em trechos rurais, passando por municípios estratégicos como Porto Velho, Ariquemes, Jaru, Ouro Preto do Oeste, Cacoal e Pimenta Bueno. A escolha dos pontos levou em conta locais com maior incidência de acidentes.
Outro ponto que tem gerado questionamentos é o destino dos valores arrecadados com as multas. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, os recursos serão administrados pela Polícia Rodoviária Federal e aplicados em ações de sinalização, engenharia de tráfego, fiscalização e campanhas educativas. Não há repasse para o consórcio responsável pela concessão da rodovia.
Diante desse cenário, a discussão permanece aberta. De um lado, a preocupação com possíveis excessos na fiscalização. Do outro, a necessidade urgente de reduzir os números de acidentes e mortes em uma das rodovias mais perigosas da região Norte.
No fim das contas, os radares entram como mais um elemento em um problema que vai além da estrutura da estrada: o comportamento de quem está ao volante.























