A BR-364 voltou a ser cenário de uma tragédia que deixa Rondônia de luto. Em pouco mais de duas semanas, três graves acidentes somaram 12 mortes, numa sequência que expõe, mais uma vez, o perigo enfrentado diariamente por quem precisa percorrer a principal rodovia do Estado.
O episódio mais recente aconteceu nesta quinta-feira, na região de Ouro Preto do Oeste. Cinco pessoas estavam em uma caminhonete da Prefeitura de Governador Jorge Teixeira quando ocorreu uma colisão com um caminhão. Quatro ocupantes morreram no local e uma mulher foi socorrida em estado gravíssimo. A tragédia se soma a outros dois acidentes recentes: um na região da Ponta do Abunã, que matou quatro integrantes de uma mesma família, e outro próximo a Jaru, também com múltiplas vítimas.
São números que deixam de ser apenas estatística quando se percebe o que representam: famílias destruídas, pessoas que saíram de casa e não voltaram, filhos, pais, mães e amigos perdidos em questão de segundos. E a repetição de acidentes dessa dimensão começa a provocar uma pergunta inevitável: o que está acontecendo na BR-364?
A expectativa era de que a concessão da rodovia e a implantação da cobrança de pedágio viessem acompanhadas de uma transformação gradual na segurança da estrada, com melhor sinalização, manutenção, fiscalização e intervenções capazes de reduzir os riscos. Entretanto, a sucessão de mortes mantém aceso o sinal de alerta e aumenta a cobrança da população por resultados concretos.
É preciso reconhecer também que a responsabilidade não está apenas nas condições da pista. Excesso de velocidade, ultrapassagens perigosas, imprudência e desrespeito à sinalização continuam compondo uma combinação potencialmente fatal. Em uma rodovia com intenso tráfego de veículos de passeio e caminhões pesados, um erro pode custar várias vidas de uma única vez.
A BR-364 não é uma estrada qualquer para Rondônia. É a principal ligação terrestre do Estado com o restante do país e um corredor fundamental para o transporte da produção rondoniense. Milhares de trabalhadores, famílias e transportadores dependem dela todos os dias. Por isso, segurança na BR-364 precisa ser tratada como prioridade, e não apenas lembrada depois de cada tragédia.
Em pleno período eleitoral, o tema também deveria ocupar espaço nas propostas dos candidatos ao Governo, Senado e Câmara Federal. Rondônia precisa cobrar compromissos objetivos sobre fiscalização, infraestrutura, duplicação, pontos críticos e investimentos que efetivamente possam reduzir acidentes.
Doze vidas perdidas em apenas três colisões são um alerta impossível de ignorar. Mais do que lamentar as vítimas, é necessário descobrir por que tantas tragédias continuam acontecendo e cobrar providências antes que uma nova família receba a notícia que ninguém deveria receber.




















