Samuel Costa pode até enfrentar uma das caminhadas mais complicadas desta eleição, mas dificilmente passa despercebido. Em uma disputa marcada por discursos muitas vezes calculados, o candidato do PSB ao Governo de Rondônia adotou um estilo próprio: fala o que pensa, confronta adversários e não economiza críticas quando entende que algo precisa ser dito — seja contra políticos, seja contra os altos salários do Judiciário.
Nesta terça-feira, durante sabatina com os Dinossauros da Rádio Parecis FM, Samuel mostrou novamente esse perfil. Mesmo convivendo com a incerteza sobre sua permanência na disputa e enfrentando resistência dentro do próprio PSB, preferiu falar sobre aquilo que pretende fazer caso chegue ao Palácio Rio Madeira.
Na saúde, uma de suas principais bandeiras, Samuel questionou os adversários sobre a falta de um Hospital de Pronto Socorro em Porto Velho e prometeu que, se eleito, buscará ampliar imediatamente a capacidade de atendimento, incluindo a duplicação do número de leitos de UTI. Segurança pública e recuperação das estradas também aparecem entre as prioridades apresentadas pelo candidato.
Samuel ainda defendeu que uma eventual administração sua seja formada por critérios técnicos, e não ideológicos. Embora esteja politicamente situado à esquerda, procura construir um discurso próprio, abordando frequentemente temas como família e fé em Deus e evitando se apresentar como representante de uma ala mais radical.
No campo produtivo, também adotou posições que fogem de alguns discursos tradicionalmente associados à esquerda. Samuel criticou a destruição de propriedades rurais e de equipamentos utilizados por garimpeiros e afirmou que, como governador, buscaria diálogo direto com o governo federal para proteger produtores e trabalhadores que estejam atuando dentro da legalidade.
Curiosamente, o adversário que mais ameaça sua candidatura neste momento não está necessariamente do outro lado da eleição. Está dentro do próprio PSB. A direção nacional da legenda protagonizou uma disputa interna que colocou em dúvida a permanência de Samuel na corrida pelo Governo. No caso da disputa pelo Senado, houve recuo em relação a Neidinha Suruí, que recuperou o direito de disputar como candidata da sigla.
Entre processos, divergências partidárias e uma campanha que enfrenta obstáculos antes mesmo das urnas, Samuel continua dizendo que pretende chegar ao Governo de Rondônia. E encerrou a sabatina recorrendo a uma frase atribuída a Santo Agostinho para resumir o espírito com que pretende seguir na disputa:
“A esperança tem duas filhas lindas: a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como elas são; a coragem, a mudá-las.”
Samuel Costa ainda terá de superar uma batalha jurídica e política para saber até onde poderá levar sua candidatura. Mas, permanecendo ou não na corrida até o fim, já conseguiu ocupar um espaço peculiar nesta eleição: o de um candidato que prefere correr o risco de provocar controvérsia a seguir o tradicional roteiro do “feijão com arroz” da política rondoniense.




















