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ALERTA VERMELHO EM RONDÔNIA: El Niño pode prolongar seca, derrubar rios e aumentar risco de queimadas nos próximos meses

Com mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, novo boletim nacional acende sinal de alerta para a Amazônia; em Porto Velho, nível do Rio Madeira já chegou perto da faixa de atenção

ALERTA VERMELHO EM RONDÔNIA: El Niño pode prolongar seca, derrubar rios e aumentar risco de queimadas nos próximos meses

Rondônia pode estar entrando em uma das fases mais delicadas da estação seca de 2026. Um novo boletim produzido por alguns dos principais órgãos de monitoramento climático do país aponta mais de 90% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no trimestre entre setembro, outubro e novembro.

A informação ganha importância especial para Rondônia porque justamente agora começa um período decisivo para a transição entre a estiagem e a volta das chuvas na Amazônia. Um El Niño intenso e prolongado pode atrasar essa mudança, mantendo solo e vegetação secos por mais tempo e criando condições favoráveis para incêndios florestais.

Madeira também preocupa

Em Porto Velho, outro sinal já vem sendo acompanhado de perto pelas autoridades: a redução do nível do Rio Madeira.

Recentemente, o rio atingiu a marca de 4,20 metros. Segundo os parâmetros utilizados pela Defesa Civil Municipal, quando o Madeira fica abaixo dos 4 metros, Porto Velho entra em estado de atenção. Aos 3 metros, a situação passa para estado de alerta.

Isso significa que, naquela medição, apenas 20 centímetros separavam o Madeira da primeira faixa de atenção.

A preocupação não envolve apenas navegação ou a paisagem do rio. Uma estiagem severa pode afetar diretamente comunidades ribeirinhas, dificultando deslocamentos e principalmente o acesso à água potável em determinadas localidades.

A Defesa Civil já iniciou ações preventivas no Baixo Madeira, incluindo visitas às comunidades, avaliação da necessidade de filtros para tratamento da água e abastecimento em pontos considerados mais vulneráveis.

El Niño entra na equação

O cenário ganhou um componente ainda mais preocupante nesta semana.

Boletim divulgado por INMET, INPE, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil Nacional e Censipam aponta que há mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro.

As projeções também indicam permanência do fenômeno pelo menos até o início de 2027.

Para as regiões Norte e Nordeste, a tendência geral apontada para o trimestre é de chuvas abaixo da média. Os órgãos alertam que a combinação de temperaturas elevadas e menor volume de chuva no centro e norte do Brasil pode aumentar o déficit hídrico e o risco de incêndios florestais.

Existe, entretanto, uma diferença importante quando Rondônia é analisada especificamente.

Para setembro, isoladamente, a previsão do INMET indica possibilidade de chuva próxima ou até acima da média em Rondônia. Isso mostra que não é possível afirmar que o estado inteiro passará necessariamente por falta de chuva durante todo o mês.

O problema está no cenário de médio prazo.

A preocupação dos especialistas é que um El Niño forte mantenha a estação seca por mais tempo em partes da Amazônia Legal e atrase a consolidação do período chuvoso.

Queimadas entram no radar

É justamente aí que aparece outro risco conhecido dos rondonienses.

Setembro historicamente está dentro do período crítico para incêndios e queimadas. Vegetação seca, altas temperaturas, baixa umidade e ação humana formam uma combinação capaz de transformar pequenos focos de fogo em grandes incêndios.

O Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mantém atualizado diariamente o monitoramento do risco de fogo no país.

Em Porto Velho, a própria Secretaria Municipal de Meio Ambiente já havia alertado que a atuação do El Niño poderia contribuir para redução das chuvas e prolongamento da estiagem em 2026.

O fantasma da fumaça

Para quem vive em Porto Velho, falar em grandes queimadas não significa apenas falar de floresta.

Quando incêndios se multiplicam na Amazônia, a fumaça pode chegar rapidamente à área urbana, reduzir a visibilidade e deteriorar a qualidade do ar.

Por isso, a evolução das próximas semanas merece atenção.

O que está acontecendo neste início de setembro não permite afirmar que Rondônia enfrentará necessariamente uma seca histórica ou uma temporada recorde de queimadas. Mas os sinais são suficientes para justificar preparação.

De um lado, o Madeira já apresentou forte redução de nível. Do outro, um El Niño com possibilidade superior a 90% de atingir intensidade muito forte entra justamente no período em que a Amazônia precisa fazer a transição da seca para as chuvas.

Se essa transição atrasar, Rondônia poderá enfrentar mais semanas de calor, vegetação ressecada, rios baixos e condições favoráveis à propagação do fogo.

O JH Notícias continuará acompanhando os dados do Rio Madeira, os focos de incêndio e as atualizações climáticas para mostrar como o El Niño poderá afetar diretamente Rondônia nos próximos meses.

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