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ANTES DA FUMAÇA: Rondônia precisa transformar alerta de seca e queimadas em grande campanha de orientação à população

Com setembro marcado por risco de incêndios e preocupação com os efeitos do El Niño, informação precisa chegar antes da emergência; estado tem até lei que institui mês de conscientização contra queimadas

ANTES DA FUMAÇA: Rondônia precisa transformar alerta de seca e queimadas em grande campanha de orientação à população

Rondônia já conhece o roteiro. Primeiro vem a estiagem. Depois, a vegetação fica cada vez mais seca, surgem os focos de incêndio e, quando o fogo se multiplica, a fumaça invade cidades, piora a qualidade do ar e aumenta a preocupação da população. Em 2026, diante dos alertas relacionados ao El Niño e dos riscos típicos deste período do ano, talvez exista uma oportunidade para inverter essa lógica: comunicar antes da crise, e não somente durante ela.

O Governo de Rondônia possui estrutura de monitoramento e já desenvolveu ações preventivas. A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), por exemplo, realizou neste ano atividades de educação ambiental com foco na prevenção às queimadas em distritos de Porto Velho. O estado também dispõe do Projeto Sentinela, que utiliza dados, satélites e tecnologia para auxiliar no monitoramento de focos de incêndio.

A questão que se coloca agora é outra: essa informação está chegando com força suficiente à casa do cidadão comum?

Informação também combate incêndio

Uma grande campanha de utilidade pública poderia explicar, de maneira simples e repetitiva, aquilo que muitas vezes só ganha destaque quando a situação já está crítica.

Quando não se deve utilizar fogo? Como denunciar uma queimada irregular? O que fazer ao identificar um foco de incêndio? Quais são os riscos da fumaça para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios? Como comunidades rurais devem se preparar para uma estiagem prolongada? O que fazer diante da queda acentuada do nível dos rios?

São informações que poderiam circular diariamente em televisão, rádio, internet, redes sociais, portais de notícias, outdoors e outros meios de comunicação.

Não se trata de propaganda de governo. Trata-se de publicidade de utilidade pública, com caráter preventivo e educativo.

Setembro já é, por lei, o mês de combate às queimadas

Existe inclusive uma base legal que torna setembro o momento ideal para essa mobilização.

A Lei Estadual nº 5.281, de 12 de janeiro de 2022, instituiu oficialmente o Setembro Cinza, definido como o mês estadual de conscientização e combate aos incêndios e queimadas em Rondônia.

A legislação estabelece como finalidade justamente reforçar a conscientização da população e contribuir para ações de proteção ambiental e prevenção às queimadas.

Entre as iniciativas previstas estão campanhas educativas, palestras, seminários e outras atividades destinadas a ensinar a população sobre como evitar incêndios e como agir diante deles.

Ou seja: Rondônia não precisa criar uma data. Ela já existe.

Estamos no período eleitoral, mas alertas de interesse público são possíveis

Há ainda uma particularidade em 2026: o período eleitoral.

Desde 4 de julho, conteúdos institucionais que possam configurar publicidade eleitoral estão suspensos nas plataformas oficiais do Governo de Rondônia.

Isso, entretanto, não significa que a população precise ficar sem informações diante de riscos concretos.

O próprio Governo de Rondônia informa que conteúdos de grave e urgente necessidade pública, como avisos de Defesa Civil e comunicados de segurança, podem ser divulgados após análise e autorização da Justiça Eleitoral.

É justamente por isso que qualquer campanha neste momento precisa ser estritamente técnica, impessoal e de utilidade pública — sem promoção de autoridades, slogans políticos ou elementos eleitorais.

O custo de prevenir pode ser menor que o de combater

Quando um incêndio de grandes proporções começa, entra em movimento uma estrutura cara.

Bombeiros, viaturas, combustível, aeronaves quando necessárias, servidores, fiscalização e atendimento de saúde fazem parte do custo público de uma temporada severa de queimadas.

A comunicação preventiva não substitui nenhuma dessas estruturas. Mas pode ajudar a reduzir comportamentos que iniciam incêndios e fazer com que ocorrências sejam comunicadas mais rapidamente.

Rondônia já possui tecnologia para identificar focos. O Projeto Sentinela, desenvolvido pelo estado, utiliza informações de satélite e outras ferramentas tecnológicas para auxiliar o trabalho de monitoramento.

Tecnologia, porém, precisa caminhar junto com conscientização.

Uma campanha para chegar aos 52 municípios

O desafio não está apenas em Porto Velho.

Uma estratégia estadual precisaria alcançar os 52 municípios de Rondônia, principalmente comunidades rurais, produtores, distritos, assentamentos e regiões próximas às áreas de maior risco.

Rádio continua sendo fundamental no interior. Redes sociais alcançam rapidamente a população urbana. Televisão amplia o alcance. Portais de notícias podem atualizar alertas diariamente.

E a mensagem precisa ser simples: evitar o fogo agora pode impedir uma emergência depois.

Rondônia ainda pode agir antes do pior

O estado não está começando do zero.

Existem ações ambientais, monitoramento, estrutura de combate, integração entre órgãos públicos e planejamento para enfrentar incêndios. Em junho, instituições estaduais chegaram a discutir especificamente os possíveis impactos de um Super El Niño sobre Rondônia e estratégias de resposta.

O próximo passo pode ser transformar todo esse conhecimento técnico em informação compreensível e presente no cotidiano da população.

Porque, quando o céu já estiver coberto de fumaça, a comunicação será necessária para administrar a emergência.

Agora, no início de setembro, ela ainda pode ajudar a evitá-la.

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