Modelo matemático sugere redução do intervalo entre as primeiras doses

Estudo demonstrou que vacinas com menos de 50% de eficácia com apenas uma dose precisam de um intervalo menor de aplicação do que aquelas mais efetivas

Por

Correio Braziliense

Modelo matemático sugere redução do intervalo entre as primeiras doses
04/02/2021 Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press. Brasil. Brasilia - DF. Cidades. Vacinação para idosos acima dos 80 anos na Ceilandia Norte.

Um modelo matemático desenvolvido pelo Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) sugere que em regiões de prevalência da variante delta do Sars-CoV-2, o intervalo entre as duas doses de vacina precisa ser mais curto do que as 12 semanas sugeridas nas bulas do imunizante da Pfizer e da AstraZeneca. O estudo, feito com dados preliminares da eficácia para essa cepa, foi publicado na revista Pnas.

Publicidade

O modelo, criado pelo grupo ModCovid-19, com pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Universidade de São Paulo (USP), projeta o tempo seguro e ideal entre as doses. Ele demonstrou que vacinas com menos de 50% de eficácia com apenas uma dose precisam de um intervalo menor de aplicação do que aquelas mais efetivas. Alimentada com estudos prévios, a tecnologia indica quando é possível adiar o reforço e quando se atinge o máximo possível de proteção.

“O próprio algoritmo decide quando é melhor aplicar a segunda dose, levando em conta a primeira, de maneira a controlar o mais rápido possível a pandemia”, explicou, em nota, Paulo José da Silva e Silva, coautor do estudo. Ele lembra que, quando o artigo foi escrito, em fevereiro, a principal pergunta era se valeria a pena adiar o reforço e qual a maneira mais segura de se fazer isso, em virtude da quantidade limitada de vacinas no país, até então.

Agora, com o avanço da delta em algumas regiões do Brasil e do mundo, as estratégias de vacinação podem ser revistas a partir do modelo. “Se você está em um lugar onde ela é a variante prevalente, a eficácia da primeira dose, pelas primeiras estimativas que estão saindo, é muito menor do que era com a alfa. Então, muda a relação da eficácia entre primeira e segunda dose. Essas análises confirmam que a decisão é delicada e que tem que ser feita de maneira sistemática”, observou o cientista.

Publicidade

Você também vai querer ler...

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.