Má qualidade dos cursos de medicina em Rondônia pode comprometer financiamentos

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

Por

Cícero Moura

EXAME
O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), aplicado pelo MEC em 2025 para avaliar a qualidade dos cursos de Medicina em todo o Brasil, trouxe uma alerta vermelho para Rondônia. 

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EXAME 2
Um cruzamento de dados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 com o Censo da Educação Superior de 2024 revelou um absurdo.

EXAME 3
Quase metade dos alunos de medicina financiados pelo Fies estuda em cursos considerados de desempenho insatisfatório pelo MEC.

MÁ FORMAÇÃO 
A qualidade da formação médica no Brasil e a destinação de recursos públicos a faculdades privadas que não atingem padrões mínimos de aprendizado representam um risco para a sociedade que busca atendimento médico, principalmente na rede pública.

PODEM PERDER
O resultado para o estado não apenas expõe falhas graves na formação de futuros médicos, como põe em xeque o direito de muitos estudantes de continuar recebendo o financiamento estudantil federal.

NOTAS
Dos cursos de Medicina avaliados no estado, a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) foi praticamente a única exceção positiva, com conceito 4 — acima da média.

NOTAS 2
O Centro Universitário Maurício de Nassau de Cacoal, obteve conceito 3, que é considerado apenas adequado.

NOTAS 3
O vexame de meia boca ( cursos de medicina com desempenho insatisfatório ), que receberam conceitos abaixo do mínimo considerado adequado (conceitos 1 e 2) ficou para Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), Afya Centro Universitário São Lucas (Afya), Faculdade Metropolitana (UNNESA), a pior de todas com  conceito 1, e Faculdade UNINASSAU Vilhena.

RISCO
Essa avaliação vergonhosa deixa os cursos sujeitos a medidas de supervisão pelo MEC — o que pode incluir restrições em vagas, Fies, Prouni e outras medidas regulatórias.

FRACOS
Na prática, os quatro cursos — incluindo Faculdades privadas importantes no estado — estão com menos de 60% dos estudantes considerados proficientes no exame nacional.

NACIONAL
Essa proporção é especialmente chocante quando se observa que, nacionalmente, cerca de 30% dos cursos de Medicina tiveram desempenho insatisfatório no Enamed — e agora estão na mira direta do MEC para supervisão e punições. 

PRECARIEDADE
Conceitos 1 e 2 não são meras menções honrosas no boletim. Eles significam que, segundo os critérios oficiais do MEC, esses cursos não estão formando médicos com o mínimo de conhecimento necessário para atuar na profissão.

CONSEQUÊNCIAS
Os efeitos práticos dessa avaliação são extensos e profundos. Levam a consequências como supressão ou redução de vagas nesses cursos — com corte de até metade das turmas em alguns casos. 

CONSEQUÊNCIAS 2
Suspensão do acesso de novos estudantes ao Fies e outros programas federais, como o Prouni. 

CONSEQUÊNCIAS 3
Congelamento de novos contratos de financiamento enquanto o curso não apresenta melhoria substancial nos seus indicadores.

RISCO
Isso significa que um estudante hoje matriculado em um desses cursos com desempenho insatisfatório pode ter dificuldades a partir deste ano para renovar seu contrato do Fies.

RISCO 2
Ou então que um vestibulando que planejava usar o Fies para começar a Medicina pode simplesmente não ter esse acesso liberado. 

REALIDADE
Essa é a ponta do iceberg. Em Rondônia, onde a maioria dos cursos está abaixo do padrão mínimo de qualidade, esse cenário se agrava.

INCENTIVO
A insegurança sobre a continuidade do apoio federal pode desestimular novos candidatos a escolher as faculdades de Rondônia, gerando impacto social e econômico profundo nas comunidades locais.

QUALIDADE
O Enamed foi criado para ser mais do que um teste: é uma ferramenta de controle de qualidade do ensino médico no Brasil. 

CONDIÇÃO
E o MEC já deixou claro que não aceitará níveis de rendimento abaixo do mínimo sem aplicar penalidades reais, incluindo a restrição de programas como o Fies. 

MEDIDAS
Dos 351 cursos de Medicina avaliados em 2025, 107 ficaram com conceitos considerados insatisfatórios (1 ou 2) — cerca de 30% do total.

MEDIDAS 2
24 cursos receberam conceito 1 (pior desempenho). 83 cursos receberam conceito 2. Desses 107, 99 cursos participam de instituições que estão sob supervisão direta do MEC e serão efetivamente penalizados com medidas administrativas. 

OPINIÃO
A ameaça do MEC é um remédio amargo mas precisa ser levada muito sério, afinal estamos falando de formação profissional para pessoas que vão cuidar da vida da população.

OPINIÃO 2
É vergonhoso ver que de 19.920 matrículas custeadas pelo Fies em 2024, mais de 9 mil estudantes, o equivalente a 47%, estavam vinculados a cursos que obtiveram conceitos baixos na prova nacional, considerados insatisfatórios.

OPINIÃO 3
No Prouni, programa de bolsas integrais e parciais, o retrato é semelhante: 41% dos bolsistas de medicina frequentavam instituições mal avaliadas.

OPINIÃO 4
Diante da formação precária constatada pelo MEC, não é difícil compreender porque acontecem casos Brasil afora de gente que dá entrada no hospital para fazer cirurgia de apêndice, por exemplo, é sai de lá com perna ou braço amputado.

FRASE
Cada falha no ensino médico é um risco a mais na mesa de cirurgia.

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