O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo deflagraram, nesta quinta-feira (21), a Operação Vérnix, focada em desmantelar uma complexa estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Mesmo já cumprindo pena em regime fechado no sistema penitenciário federal de Brasília, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva. A ação também atingiu familiares próximos, incluindo seu irmão, Alejandro Camacho, e seus sobrinhos, Paloma e Leonardo Herbas Camacho.
A investigação aponta que a organização criminosa utilizava empresas de fachada, como uma transportadora sediada no interior paulista, para conferir aparência lícita a centenas de milhões de reais oriundos de atividades ilícitas. A operação busca atingir o núcleo financeiro da facção, estratégia considerada essencial pelas autoridades para reduzir o poder de comando do grupo, que atua em diversas frentes do crime organizado no país.
O braço financeiro do esquema, segundo o MP, contava com operadores que realizavam depósitos fracionados e utilizavam contas de terceiros para pulverizar recursos. A operação ganhou repercussão nacional ao incluir a influenciadora digital Deolane Bezerra e seu filho, Giliard Vidal dos Santos, entre os investigados. A suspeita é de que Deolane teria recebido valores provenientes desse sistema de lavagem, ampliando o escopo da apuração para além do círculo familiar tradicional da facção.
Aos 58 anos, Marcola é a figura central do PCC desde o início dos anos 2000. Sua trajetória, marcada pelo início em pequenos furtos na capital paulista, culminou na estruturação da maior organização criminosa brasileira. Mesmo isolado em presídio federal desde 1999, ele é apontado como o articulador de ações que transcendem as grades. Um dos marcos de sua liderança foi a onda de ataques coordenados em maio de 2006, que resultou em mais de 560 mortes em São Paulo, estabelecendo o PCC como uma força capaz de paralisar a segurança pública estadual.
A origem da Operação Vérnix remonta a 2019, quando a apreensão de manuscritos em presídios paulistas revelou a arquitetura financeira da facção. A Polícia Civil e o Ministério Público trabalham agora no bloqueio de bens e valores milionários vinculados aos suspeitos. Enquanto a defesa de Marcola afirmou que ainda se inteirará do caso, as investigações continuam com o objetivo de mapear a rede de influência que conecta o crime organizado a outros setores, incluindo o mercado de influenciadores digitais e o setor de apostas.






















