Nos próximos 40 dias, a chamada janela partidária estará oficialmente aberta, permitindo que parlamentares troquem de partido sem risco de perda de mandato. Em tese, é o momento ideal para reposicionamentos estratégicos, correções de rota e construção de novos projetos eleitorais. Na prática, porém, em Rondônia o cenário é outro.

A maioria absoluta dos políticos deve esperar até o último minuto para qualquer movimento.
E não é por cálculo eleitoral refinado. É por medo.
No ambiente político rondoniense, a palavra “confiança” tornou-se artigo de luxo — e traição, infelizmente, quase um esporte. Trocas de partido costumam ser acompanhadas de retaliações silenciosas, rompimentos abruptos, isolamento político e, em alguns casos, perseguições veladas dentro das estruturas de poder.
O resultado é um jogo de xadrez jogado no escuro.
Parlamentares sabem que mudar cedo demais pode significar virar alvo. Permanecer tempo demais, por outro lado, pode custar espaço, alianças e viabilidade eleitoral. Assim, muitos optam pelo caminho mais comum: silêncio absoluto, discursos genéricos de lealdade e decisões guardadas a sete chaves — até o relógio apertar.
Nos bastidores, o clima é de desconfiança mútua. Conversas acontecem, mas raramente deixam registros. Promessas são feitas sem testemunhas. A palavra empenhada já não vale o que valia, e alianças firmadas hoje podem ser descartadas amanhã, conforme a conveniência do momento.
A janela partidária, que deveria ser um instrumento de amadurecimento do sistema político, acaba funcionando como um período de tensão máxima. Quem se antecipa corre risco. Quem demora demais pode perder o trem.
Esse comportamento revela muito mais do que simples cautela. Expõe uma cultura política marcada por personalismo, baixa previsibilidade e relações frágeis, onde projetos coletivos frequentemente cedem lugar a interesses imediatos.
Ao fim da janela, como de costume, surgirão anúncios repentinos, discursos ensaiados sobre “novos desafios” e “decisões amadurecidas”. Mas poucos acreditarão que tudo foi construído com serenidade.
Em Rondônia, a política continua sendo menos sobre estratégia e mais sobre sobrevivência. E, enquanto traição seguir sendo regra e confiança exceção, o último minuto continuará sendo o horário preferido para decisões que, teoricamente, deveriam ser transparentes.





















