O trânsito segue matando — e em ritmo alarmante. Em Rondônia, a BR-364 fez mais seis vítimas fatais em pouco mais de 50 horas, no último fim de semana. Quatro mortes ocorreram em um único acidente, em Candeias do Jamari. Outras duas foram registradas nas proximidades de Cacoal. A sétima morte aconteceu dentro da área urbana de Porto Velho.

O roteiro é conhecido — e repetido à exaustão: ultrapassagens em local proibido, velocidade muito acima do permitido, desrespeito à sinalização e a imprudência de ignorar buracos em alguns trechos de uma rodovia que convive diariamente com um fluxo intenso de veículos pesados. O resultado é fatal para quem esquece que está trafegando por uma estrada de altíssimo risco.
Entre Vilhena e a fronteira com o Acre, são quase mil quilômetros cortados diariamente por cerca de três mil caminhões, de dia e de noite. A equação é simples: quem insiste em velocidades absurdas ou se arrisca em ultrapassagens proibidas aumenta exponencialmente a chance de um choque frontal com veículos de grande porte. Numa colisão desse tipo, um carro de passeio praticamente não oferece chance de sobrevivência.
Campanhas educativas existem, alertas se multiplicam, operações são realizadas — e, ainda assim, grande parte dos motoristas ignora as regras, sobretudo nas BRs. A imprudência virou rotina. E o cenário tende a piorar se avançarem propostas que flexibilizam ainda mais a formação de condutores. Basta imaginar o impacto de estradas e cidades cheias de motoristas sem treinamento adequado, sem aulas práticas consistentes e sem testes básicos de habilidade.
A pergunta que fica é direta e incômoda: vamos aceitar o caos como normalidade? Ou seguiremos contando mortos a cada fim de semana, até que a estatística vire apenas mais um número na paisagem da BR-364?
Enquanto respostas não vêm, a rodovia segue cobrando seu preço — sempre alto, sempre irreversível.





















