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Conselheiro denuncia irregularidades do Sinjur

Postado em 13/06/2019 às 20h22min • Atualizado 20h51min


Conselheiro denuncia irregularidades do Sinjur

Em entrevista a essa redação, Raiclin Silva, que atualmente ocupa o cargo de Conselheiro Fiscal no SINJUR (Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário/RO) fez duras críticas sobre a falta de transparência na gestão entidade (2018-2020) e alertou sobre os graves erros que estão sendo cometidos.

O conselheiro informa que mesmo sem a devida auditoria, o Sindicato convocou assembleia-geral para aprovação das contas do exercício de 2018, nesta sexta (14/06/2019).

”A diretoria do SINJUR desvirtuou a composição e as atribuições do Conselho Fiscal. Fomos eleitos pela categoria para analisar e fiscalizar as contas da atual gestão, com direito a amplo e total acesso”.

Confira abaixo a entrevista com o Conselheiro Fiscal do Sinjur:

Reportagem – Por que você quis participar do Conselho Fiscal?

Raiclin Silva – Me predispus a participar efetivamente do Conselho Fiscal para ajudar a fortalecer a categoria. Vi que podia somar, porque tenho uma vasta experiência na área de auditoria, de gestão, de economia, de viabilidade de processos, de execução orçamentária e de gestão pública, principalmente na celebração de contratos que, no meu entendimento, têm que ser equitativos, com segregação de interesses, sem nepotismo.

Reportagem – Como foi o processo para sua eleição?

Raiclin Silva – Participei do pleito e, de cara, percebi que o Conselho Fiscal era muito fraco na sua constituição, porque havia uma desorganização, não havia referência. Apesar do estatuto prever autonomia de gestão, não existia segregação, porque não existia o papel de um presidente, de um secretário. Diante disso, em assembleia, sugeri que o mais votado seria o presidente, o segundo mais votado o secretário e o terceiro o segundo secretário, e todos entenderam e assim firmou-se.

Reportagem – A direção do Sinjur também entendeu que essa composição seria a melhor?

Raiclin Silva – O colegiado entendeu que isso seria o melhor, mas a gestão do Sinjur não entendeu assim, não aceitou que o Conselho tivesse um Presidente, uma estrutura administrativa para melhor viabilizar seus trabalhos.

Reportagem – Por que a Diretoria do Sinjur não aceita uma composição que sempre foi habitual nos Conselhos Fiscais?

Raiclin Silva – Só vejo uma justificativa, a diretoria quer o enfraquecimento de um órgão que deveria ser fortalecido para garantir transparência nas contas do sindicato.

Reportagem – E como foi o desempenho do seu trabalho?

Raiclin Silva – De boa fé, iniciei meus trabalhos em meados de janeiro de 2018, logo no início da gestão da atual diretoria do sindicato. Fiz isso porque tenho entendimento de que alguns gestores precisam de uma orientação profissional para execução da sua gestão, respeitando os processos legais, para uma boa gestão, centrada no que está estabelecido no estatuto, na legislação.

Foi nessa época que fiz a primeira requisição. No dia 26 de março daquele ano solicitei o que o estatuto previa para fortalecer uma boa gestão e uma boa transparência.

Reportagem – O que foi solicitado e qual a resposta da direção do Sinjur?

Raiclin Silva – Primeiro, perguntei ao diretor de finanças se estava sendo feito relatórios mensais sobre a situação financeira do sindicato, não obtive resposta.

Pedi que fosse apresentada a diretoria administrativa. Também solicitei a proposta do plano orçamentário anual aprovado pela diretoria administrativa, uma vez que esse é um fator que garante transparência às ações do Sinjur. Não obtive resposta.

Depois solicitei todos os documentos, contratos de arrecadação e recebimento de numerário, contribuição doação, etc. Tentei verificar todas as contas que têm no sindicato. Por exemplo, existe o fundo de greve e a gente precisa saber se o valor que há lá é destinado apenas para essa finalidade, mas não tive sucesso, nenhuma das solicitações foi atendida.

Reportagem – Que providências você tomou?

Raiclin Silva – Notifiquei a diretoria sobre a importância da reunião periódica com o Conselho Fiscal para que as contas fossem auditadas. Também procurei o diretor de imprensa sobre a proposta aprovada em assembleia, voltada a publicação no site das contas do sindicato, como forma de garantia de transparência aos filiados. Seria um espaço para que o Conselho Fiscal estivesse comunicando aos filiados o resulto de seus trabalhos.

Reportagem – Houve mudança na composição do Conselho?

Raiclin Silva – Sim, mas vou contextualizar pra que seja mais bem entendido. Junto a diretoria administrativa, requisitei a ata da eleição para poder estruturar a composição do Conselho Fiscal, mas não fui atendido. Meses depois, em meados desse segundo ano, foi apresentada a ata, mas não estava como foi aprovada em assembleia, o papel do presidente estava desvirtuado.

Logo no início dos meus trabalhos, enquanto presidente do Conselho Fiscal, percebi hostilidade. A direção do Sinjur chegou a dizer que o presidente não representava o Conselho Fiscal e que para ter acesso a qualquer documento tinha que ter a presença de outros integrantes. Esse foi um dos condicionantes.

Fiquei perplexo com a informação, porque, como filiado eu tenho direito a essas informações, quanto mais sendo presidente do Conselho Fiscal.

Agora, quanto a pergunta, devo dizer que não está tendo a atuação efetiva do Conselho Fiscal, porque a atual diretoria do sindicato não está respeitando a existência do Conselho com quesito de autonomia e acessibilidade. Nunca teve comunicação direta no sentido de alinhar um entendimento e, ao longo do tempo, houve mudança na composição e os demais integrantes foram substituídos.

Pra piorar, os que assumiram já apreciaram e aprovaram as contas, sem que eu, na qualidade de Presidente, tivesse acesso a essa informação. Fiquei sabendo por acaso. Não tive acesso a nenhuma informação.

Reportagem – Que atitude tomou para garantir a efetiva ação do Conselho Fiscal?

Raiclin Silva – Agora, nesta semana, faltando dois dias para a apresentação das contas, em assembleia, me informaram que posso ter acesso ao que requisitei há mais de 01 (um) ano. Até um leigo no assunto sabe que uma análise minuciosa contábil e financeira, requer no mínimo 30 (trinta) dias. A diretoria sempre faz isso, tudo lá dentro é feito de última hora. Por que? Pra inviabilizar qualquer ação contrária aos interesses deles.

Nossa expectativa é que a diretoria do Sinjur respeite seus filiados e afira ao Conselho Fiscal, com reconhecimento de seu papel fiscalizador, o devido poder legal de verificar as contas para dar seu parecer de acordo ou contrário, resguardando o direito e interesse dos filiados.

O Conselheiro, deixa claro, o flagrante desrespeito ao estatuto do sindicato bem como aos filiados. Afirma que não existe imparcialidade por parte da diretoria. Que houve a destituição injusta de um membro do Conselho devidamente eleito e que nunca teve nenhum acesso as contas do sindicato.

”As contas que precisam ser aprovadas esse ano, pelo visto, já está aprovada antes mesmo da Assembleia começar. E eu nunca tive acesso a nada. A substituição arbitrária e forçada entre membros do Conselho, desarticulou a nossa ação fiscalizadora, uma vez que cessou o diálogo entre os componentes do órgão” encerrou o servidor.

Por Assessoria