COMPRAS
senador Marcos Rogério resolveu fazer algo simples — e, justamente por isso, explosivo nos tempos atuais: foi às redes sociais relatar compras para a ceia e o que viu com os próprios olhos.

COMPRAS 2
Estabelecimentos cheios, movimento intenso, consumo aquecido às vésperas do Natal.
COMPRAS 3
Em vez de atacar, ironizar ou negar a cena, optou por elogiar o comportamento da população e o ambiente econômico que permitia aquele cenário.
ÓDIO
O resultado foi imediato. Não demorou minutos para que uma enxurrada de críticas viesse, curiosamente, não da esquerda, mas de setores mais extremistas da direita.
ÓDIO 2
Para esses grupos, o gesto foi interpretado como heresia política: elogiar consumo virou sinônimo de “elogiar o governo Lula”.
X9
O rótulo veio rápido — “esquerdista enrustido”, “traidor da causa”, “vendido”.
OBSERVAÇÃO
E aqui está o ponto central da análise: quando a oposição passa a atacar a descrição da realidade, o problema deixa de ser político e passa a ser negacionista.
PRÁTICA NORMAL
Não há ideologia no fato de lojas estarem cheias. Não há alinhamento partidário em constatar que pessoas estão comprando, circulando, consumindo.
DIA A DIA
A economia real — aquela que se vive no supermercado, no comércio, no centro da cidade — não pede licença a discursos prontos.
FATO
Ela acontece ou não acontece. E, naquele momento, ela estava acontecendo.
FATO 2
Para uma oposição responsável, criticar o governo é não apenas legítimo, mas necessário.
FATO 3
O erro está em tentar questionar o que simplesmente não se sustenta como crítica.
FATO 4
Se o consumo cresce, fingir que ele não existe não fortalece discurso algum — apenas desconecta o político da vida real.
CONCEITO POBRE
O episódio revela algo ainda mais profundo: parte do debate político foi sequestrada por uma lógica binária e empobrecida, onde reconhecer um dado positivo vira automaticamente adesão ideológica.
TEMOR
Nesse ambiente, o político não pode mais relatar fatos; precisa, antes, checar se o fato “combina” com a narrativa do grupo ao qual é associado.
CIDADÃO COMUM
Marcos Rogério, goste-se ou não de suas posições, fez algo raro: descreveu uma cena concreta sem filtro ideológico.
INCÔMODO
E isso, paradoxalmente, incomodou mais seus próprios aliados do que seus adversários.
REALIDADE
É preciso dizer com clareza: elogiar a população não é elogiar governo. Reconhecer movimento econômico não é fazer campanha.
CONSISTÊNCIA
A crítica política só é forte quando parte da verdade — não quando tenta escondê-la.
OPINIÃO
O Brasil precisa urgentemente de menos torcida organizada e mais leitura honesta da realidade.
OPINIÃO 2
Caso contrário, seguiremos presos a um debate em que fatos são tratados como traição, e a política vira refém de seus extremos.
OPINIÃO 3
No fim das contas, talvez a maior dificuldade de ser oposição hoje não seja enfrentar o governo, mas enfrentar a própria base quando a realidade insiste em contrariar o discurso.
FRASE
Radicalismo empobrece o debate e afasta soluções.





















