A eleição para o Governo de Rondônia ainda tem muita estrada pela frente, mas uma disputa paralela começa a merecer atenção especial nos bastidores: Adailton Fúria x Hildon Chaves.
Fúria permanece numericamente à frente.
Na pesquisa Real Time Big Data divulgada em 16 de julho, Marcos Rogério apareceu com 36%, Fúria com 28% e Hildon com 13%. O levantamento ouviu 1.600 eleitores e apresentou margem de erro de dois pontos percentuais.
Portanto, seria precipitado dizer hoje que Hildon já encostou em Fúria.
Mas também seria erro político imaginar que essa fotografia permanecerá congelada até outubro.
Levantamentos anteriores do Instituto Veritá já haviam apontado Hildon em trajetória de crescimento entre março e maio. A leitura publicada à época destacava justamente o avanço do ex-prefeito e a pressão que esse movimento poderia exercer sobre Fúria.
E existe uma razão óbvia para Hildon continuar sendo observado: Porto Velho.
A capital concentra enorme parcela do eleitorado rondoniense e é justamente o território onde o ex-prefeito construiu sua principal base política.
Se conseguir transformar seu recall administrativo na capital em voto e, ao mesmo tempo, avançar no interior, Hildon pode tentar diminuir a vantagem que hoje separa os dois.
É aí que começa a parte mais quente dessa história.
Fúria quer Rocha, mas quer Rocha até onde?
Nos bastidores políticos existe uma pergunta cada vez mais incômoda, qual será o tamanho de Marcos Rocha dentro da campanha de Adailton Fúria?
Fúria pertence ao PSD, partido comandado em Rondônia pelo governador. Sua candidatura está diretamente inserida no projeto político de sucessão do atual grupo.
A relação, entretanto, já foi alvo de especulações públicas. Em junho, publicação do Hoje Rondônia chegou a descrever tensão na pré-campanha e possível dependência de Fúria em relação ao grupo político do governador. Trata-se de uma interpretação daquele veículo, e não de confirmação oficial de rompimento entre ambos.
E aqui surge uma contradição política que pode cobrar seu preço.
Não dá para querer apenas a parte boa do Governo.
Se Fúria pretende contar com prefeitos aliados, lideranças, secretários, deputados, estrutura política e toda a capilaridade construída pelo grupo de Marcos Rocha durante quase oito anos de poder, terá também de decidir quanto do governador estará disposto a carregar publicamente em sua campanha.
Porque política não costuma funcionar como restaurante à la carte.
Não dá para escolher apenas aquilo que interessa no cardápio.
Se o Governo é bom o suficiente para oferecer sustentação política, também deveria ser bom o suficiente para aparecer na fotografia.
Caso Fúria tente se apresentar como candidato independente enquanto depende politicamente da estrutura governista, abre uma avenida para seus adversários explorarem exatamente essa aparente contradição.
E Marcos Rocha também tem suas próprias escolhas a fazer.
Até quando um governador colocará seu grupo político inteiro à disposição de um candidato que eventualmente evite associar sua imagem ao próprio governo?
Essa pergunta provavelmente ainda dará muito assunto.
Hildon está de olho nessa confusão
Hildon não precisa necessariamente vencer essa batalha agora.
Precisa permanecer vivo.
Cada crise interna no grupo governista, cada dificuldade de Fúria em definir sua identidade eleitoral e cada movimento de Hildon no interior diminuem um pouco a tranquilidade de quem hoje ocupa a segunda posição.
O próprio desenho das pesquisas mostra que ainda existe distância. Outro levantamento, do Instituto Phoenix realizado em julho, também colocou Fúria em segundo e Hildon em terceiro: considerando os votos válidos apresentados pelo instituto, eram 23,4% para Fúria e 14,6% para Hildon.
Ou seja: Hildon ainda precisa crescer bastante.
Mas campanha eleitoral é movimento.
Quem começa agosto na frente não recebe antecipadamente passagem para o segundo turno.
Fúria possui uma vantagem concreta e uma poderosa estrutura política ao redor.
Hildon possui recall, força eleitoral na capital e espaço para tentar crescer.
E Marcos Rogério, enquanto os dois brigam, observa tudo da posição de líder indicada pelos levantamentos recentes.
Por isso, talvez a pergunta mais interessante desta fase da eleição não seja quem está em segundo hoje.
É outra:
Quem estará em segundo quando as urnas forem abertas?
Fúria larga com vantagem.
Hildon tenta encurtar a distância.
E se a relação entre Fúria e Marcos Rocha começar a apresentar rachaduras públicas, aquilo que hoje parece uma vantagem confortável pode virar combustível para uma disputa muito mais perigosa.
🔥 A chapa começou a esquentar. E ainda estamos em agosto.




















