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ANO DE ELEIÇÃO, GREVE À VISTA: professores merecem valorização, mas alunos não podem virar instrumento político

É preciso separar duas coisas: a legítima luta dos professores por melhores salários e condições de trabalho do eventual uso político de movimentos sindicais em pleno calendário eleitoral

ANO DE ELEIÇÃO, GREVE À VISTA: professores merecem valorização, mas alunos não podem virar instrumento político

É ano de eleição. E, mais uma vez, a palavra greve volta ao centro do debate em Porto Velho.

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A história parece conhecida. Reivindicações salariais, sindicato mobilizado, pressão sobre o Executivo e milhares de famílias preocupadas com uma pergunta muito mais simples: vai ter aula ou não?

Antes de qualquer coisa, uma posição precisa ficar absolutamente clara: professor ganha pouco neste país.

Não é exclusividade de Porto Velho. É um problema brasileiro.

Quem dedica a vida a ensinar, formar médicos, advogados, engenheiros, jornalistas, policiais, empresários e os próprios políticos deveria receber tratamento compatível com a importância da profissão.

Aliás, se o Brasil realmente tratasse suas prioridades como prioridades, professores e profissionais da segurança pública estariam entre as carreiras mais valorizadas do país.

O problema começa quando uma reivindicação legítima se mistura ao ambiente político.

POR QUE JUSTAMENTE AGORA?

É uma pergunta que precisa ser feita.

Em anos eleitorais, qualquer mobilização de grande impacto naturalmente ganha dimensão política. Sindicatos possuem força, capacidade de mobilização e poder para desgastar governos.

Isso não significa afirmar que toda greve tenha finalidade eleitoral. Seria irresponsável fazer essa generalização.

Mas também seria ingenuidade imaginar que, em pleno 2026, movimentos capazes de atingir diretamente uma administração pública estejam completamente isolados da temperatura eleitoral.

É justamente por isso que reivindicações, contrapropostas, atas de negociação, números e impactos financeiros precisam ser colocados sobre a mesa.

Transparência de todos os lados.

LÉO MORAES LEVA DISCUSSÃO PARA A JUSTIÇA

O prefeito Léo Moraes decidiu enfrentar a situação pela via judicial.

É um direito da administração questionar juridicamente uma paralisação, assim como é direito dos trabalhadores apresentar suas reivindicações e utilizar os instrumentos legalmente assegurados para defendê-las.

Quem decidirá sobre a legalidade ou não do movimento é a Justiça.

O que não pode acontecer é a população ficar refém dessa queda de braço.

Porque prefeito continua recebendo.

Secretário continua recebendo.

Dirigente sindical continua exercendo sua função.

E quem paga imediatamente a conta de uma escola sem aula?

O aluno.

Depois, a família inteira.

PROFESSOR PRECISA GANHAR MAIS. ISSO NÃO ESTÁ EM DISCUSSÃO.

Prefeitura, Governo do Estado e União precisam avançar na valorização dos profissionais da educação.

Salário, carreira, estrutura das escolas, segurança e condições dignas de trabalho não podem aparecer apenas em discursos eleitorais.

Mas valorização profissional também precisa ser construída com responsabilidade fiscal, negociação e transparência.

Da mesma maneira, nenhum governo deveria simplesmente se curvar a qualquer pressão sem avaliar o impacto das reivindicações sobre as contas públicas.

Negociar não significa capitular.

E reivindicar não significa possuir automaticamente razão em todos os pontos apresentados.

O caminho responsável está justamente no meio: abrir as contas, apresentar números, negociar seriamente e proteger o calendário escolar.

Professor não pode ser tratado como inimigo.

Prefeito também não pode ser condenado simplesmente por resistir a uma reivindicação que considere inviável.

E, principalmente, criança não pode ser transformada em instrumento de pressão de ninguém.

Em pleno ano eleitoral, qualquer movimento dessa dimensão precisa estar ainda mais protegido contra interesses partidários — de qualquer lado.

Professor merece respeito.

Professor merece salário digno.

Professor merece valorização.

Mas educação não pode virar arma eleitoral.

Alan Drumond
Coluna Chapa Quente

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