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Nesta quarta-feira, o Congresso decide algo que pode mudar profundamente a história da Medicina brasileira: a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, uma espécie de “OAB dos médicos”. E é preciso dizer com clareza essa discussão não é contra médicos. É a favor da sociedade.

Nos últimos anos, o Brasil assistiu a uma explosão de cursos de Medicina. Faculdades surgiram em ritmo acelerado, muitas delas com estrutura precária, hospitais-escola insuficientes e corpo docente questionável. A formação médica deixou de ser apenas um desafio acadêmico para se tornar também um problema de política pública. Quando se forma mal um médico, não se erra numa prova. Erra-se na vida de alguém.

A Medicina não é profissão de tentativa e erro. Não é laboratório social. Um diagnóstico equivocado, uma prescrição inadequada ou um procedimento mal executado custam vidas. Simples assim. Se o advogado precisa provar que está apto para defender alguém na Justiça, por que o médico não precisaria demonstrar que está preparado para cuidar da saúde e da vida?

O exame não é punição. É filtro. É proteção. É garantia mínima de qualidade. Quem estudou em uma instituição séria, com formação sólida, não tem o que temer. Pelo contrário: será valorizado. O problema não está no estudante dedicado. Está no sistema que permite diplomas sem excelência.

Outro ponto fundamental: o exame cria um parâmetro nacional. Hoje, a qualidade da formação varia drasticamente entre regiões e instituições. Uma prova unificada estabelece um padrão mínimo. Não resolve todos os problemas da educação médica, mas impede que profissionais despreparados ingressem diretamente no mercado sem qualquer avaliação externa.

É claro que haverá resistência. Há interesses econômicos poderosos por trás da expansão desenfreada de cursos. Mas o interesse maior precisa ser o do paciente. O cidadão que entra numa UPA, num hospital público ou numa clínica privada confia que aquele profissional à sua frente está plenamente habilitado.

A Medicina exige vocação, estudo contínuo e responsabilidade extrema. Um exame de proficiência não diminui a profissão ele a fortalece. Ele separa o improviso da competência. E, acima de tudo, protege quem mais importa nessa discussão: a população.

Se a decisão for pela aprovação, não será uma vitória corporativa. Será um passo civilizatório. Porque cuidar da vida exige preparo comprovado não apenas um diploma na parede.

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