Existe uma cultura perigosa no Brasil de tentar romantizar a famosa “vantagem”. E uma das mais comuns é o furto de energia elétrica, o popular “gato”. Tem gente que encara isso como esperteza. Eu enxergo como falta de responsabilidade.
Quem faz uma ligação clandestina costuma acreditar que está prejudicando apenas a concessionária de energia. Não está. O prejuízo chega à casa do aposentado que paga sua conta em dia, da mãe que faz malabarismo para manter as despesas da família sob controle, do pequeno comerciante que luta para manter as portas abertas.
No fim das contas, alguém sempre paga essa conta. E normalmente é justamente quem faz tudo da maneira correta.
O problema vai muito além do dinheiro. Uma instalação improvisada pode provocar incêndios, matar pessoas por choque elétrico e deixar bairros inteiros sem energia. Quantas vezes ouvimos reclamações de oscilações, equipamentos queimados ou apagões? Em muitos casos, o excesso de ligações clandestinas ajuda a sobrecarregar a rede elétrica.
Não estou ignorando a realidade de muitas famílias que vivem em situação de vulnerabilidade. A pobreza precisa ser enfrentada com políticas públicas, geração de emprego e acesso digno aos serviços essenciais. Mas transformar um crime em solução nunca foi, nem nunca será, o caminho.
O mais preocupante é perceber que existem pessoas que defendem esse tipo de prática. “A empresa é rica”, dizem alguns. Como se isso justificasse cometer um crime. Não justifica. Da mesma forma que não justificaria furtar um supermercado, um posto de combustível ou qualquer outro estabelecimento.
Rondônia tem assistido ao aumento das operações contra o furto de energia. E elas precisam continuar. Não apenas para prender quem insiste em viver à margem da lei, mas também para proteger quem trabalha honestamente e paga suas contas todos os meses.
Respeitar a lei não deveria ser motivo de aplauso. Deveria ser o mínimo esperado de qualquer cidadão.
Enquanto parte da sociedade continuar tratando o crime como esperteza, continuaremos vivendo em um país onde o correto parece ser exceção.
E isso, sinceramente, precisa mudar.
Alan Drumond
Colunista do JH Notícias





















