A eleição para o Governo de Rondônia caminha para um cenário curioso. À primeira vista, pode parecer que o eleitor terá diversas opções dentro do campo da direita. Mas uma análise mais cuidadosa mostra que essa realidade é um pouco diferente.
Na prática, entre os principais candidatos ao Palácio Rio Madeira, apenas o senador Marcos Rogério (PL) construiu toda a sua carreira política tendo a direita conservadora como principal marca de sua atuação.
Desde que ingressou na política nacional, Marcos Rogério se posicionou em defesa de pautas conservadoras, aproximou-se do ex-presidente Jair Bolsonaro e passou a integrar o grupo de lideranças identificadas com o eleitorado de direita em todo o país. Essa identidade nunca foi escondida. Pelo contrário: tornou-se uma das principais bandeiras de sua atuação no Congresso Nacional e, agora, também de sua campanha ao Governo de Rondônia.
A escolha do deputado estadual Delegado Camargo para compor a chapa reforça ainda mais esse perfil. Camargo é reconhecido por defender pautas conservadoras e possui forte identificação com o eleitorado bolsonarista.
Já os demais candidatos ocupam um espaço diferente no espectro político.
Adaílton Fúria (PSD), apesar de possuir posições conservadoras em diversos temas e dialogar com o eleitorado de direita, construiu sua carreira muito mais voltada para a gestão pública municipal do que para o debate ideológico. Seu discurso é centrado em administração, resultados e eficiência, características normalmente associadas a um perfil de centro-direita.
Situação semelhante vive Hildon Chaves (União Brasil). Ex-prefeito de Porto Velho, sempre foi reconhecido como um gestor de perfil liberal na economia e moderado na política. Nunca adotou como marca pessoal a militância conservadora nem buscou ocupar o espaço da direita ideológica.
Pedro Abib (MDB) ainda representa uma incógnita. Filho de uma tradicional família de empreendedores e dirigente da Faculdade Católica de Rondônia, demonstra posições que dialogam com o empreendedorismo, a iniciativa privada e valores conservadores. Ao mesmo tempo, integra um partido presidido no estado pelo senador Confúcio Moura, um dos principais aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Rondônia. O próprio Abib, no entanto, já afirmou publicamente que pretende construir uma identidade política própria e que suas posições não dependem, necessariamente, das decisões da direção partidária.
No outro extremo do cenário aparecem os candidatos identificados com a esquerda.
Expedito Netto (PT) representa diretamente o projeto político do governo Lula em Rondônia após integrar a equipe do Ministério da Pesca.
Samuel Costa (PSB) também mantém alinhamento público com o presidente da República e nunca escondeu sua defesa das pautas do atual governo federal.
Já Luiz Carlos Teodoro (PSOL), embora filiado ao partido mais identificado com a esquerda ideológica, possui uma atuação considerada mais moderada em Rondônia, inclusive tendo exercido a defesa de acusados pelos atos de 8 de janeiro, postura incomum dentro de sua legenda.
A principal disputa pode acontecer dentro da própria direita
Se essa leitura estiver correta, a eleição de Rondônia poderá ter uma característica interessante: o principal embate não será entre direita e esquerda, mas entre diferentes perfis dentro do campo conservador e da centro-direita.
Marcos Rogério deverá buscar o voto do eleitor que prioriza uma identidade ideológica claramente conservadora.
Já Fúria e Hildon tendem a disputar um eleitorado que valoriza mais a experiência administrativa, a capacidade de gestão e propostas voltadas para infraestrutura, saúde, segurança e desenvolvimento econômico, sem colocar a ideologia no centro do debate.
No fim das contas, o eleitor rondoniense terá diante de si projetos distintos, ainda que muitos deles conversem com o mesmo segmento político. A diferença estará menos na posição entre direita e esquerda e mais na intensidade dessa identidade e na forma como cada candidato pretende governar o Estado.





















