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Sobrinho que chorou no velório do tio depois de matá-lo é condenado; “frio e calculista”, disse juiz

Postado em 19/06/2019 às 08h24min


Sobrinho que chorou no velório do tio depois de matá-lo é condenado; “frio e calculista”, disse juiz

Depois de sete horas e meia de julgamento, o jovem acusado de matar o tio Baltazar Bernadino Dias, de 53 anos, com golpes de martelo na cabeça, foi condenado a 22 anos de prisão. O júri foi na última segunda-feira (17), no Fórum de Ariquemes (RO), no Vale do Jamari. Renan Daquilas Dias deverá cumprir a pena inicialmente em regime fechado.

Testemunhas contaram, durante as investigações que, após a morte de Baltazar, Renan compareceu ao velório do tio, onde afirmou estar ‘desolado’ e chorava pela morte, dizendo, inclusive, que se vingaria de quem tivesse cometido o crime.

Conforme a sentença, sete testemunhas foram ouvidas durante a sessão e posteriormente se iniciou o debate entre promotor de justiça e o advogado do réu. Para o promotor Anderson Batista de Oliveira, o Renan devia ser condenado por homicídio triplamente qualificado.

Por outro lado, o advogado César Eduardo Manduca pedia ao júri para que Renan fosse absolvido ou que tivesse a pena reduzida por ter praticado o crime sob o domínio de ‘violenta’ emoção, ao ser provocado injustamente pela vítima.

Segundo apontou a promotoria, Renan e o pai moravam na mesma casa que Baltazar, mas a relação entre sobrinho e tio era conturbada. Baltazar fazia criticas e cobranças pessoais quanto a questões de trabalho, comportamento dentro do imóvel e chamava o sobrinho de usuário de drogas.

Os sete jurados, sendo três homens e quatro mulheres, decidiram, por maioria dos votos, que Renan é culpado pelo homicídio triplamente qualificado – motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Ao anunciar a decisão no Fórum, o juiz Alex Balmant disse que Renan agiu de forma premedita, para orientar a vontade de acabar com a vida do tio de forma covarde, como se não possuísse nenhum vínculo afetivo. Balmant ainda destacou que o réu possui “personalidade negativa, fria e calculista”.

O juiz determinou a pena base em 26 anos de prisão, mas por Renan ter confessado o crime posteriormente e ser menor de 21 anos, foi condenado a 22 anos de prisão, cumpridos inicialmente em regime fechado no Centro de Ressocialização de Ariquemes. A sentença proferida em primeira instância cabe recurso.

Defesa

O advogado do réu, César Eduardo Manduca informou que já manifestou ao judiciário sobre a intenção de recorrer da sentença, através do recurso de apelação.

“Ainda irei analisar as teses a serem defendidas na apelação, pois a pena foi muito alta diante da situação, por conta das condições do réu. Ele era réu primário, confessou o delito, ser menor de 21 anos, então foi uma pena alta. Teve presos com extensa ficha criminal e pegou 25 anos, agora um réu primário, como no caso, pegar 22 anos é exagerado”, comentou.

Crime

Baltazar Bernadino Dias foi morto na noite de 18 de setembro de 2018, na residência onde morava, localizada na Vila Ebeza, no distrito de Garimpo Bom Futuro, em Ariquemes. Segundo a Polícia Militar (PM) a vítima estava com a cabeça dilacerada sobre um colchão e foi encontrado pelo irmão, de 45 anos.

Conforme a ocorrência policial, uma viatura foi abordada pelo irmão da vítima, o qual disse que chegou na casa onde moram e o encontrou deitado em um colchão com grande quantidade de sangue.

Na casa, os policiais encontraram massa encefálica espalhada pelo chão e marcas de sangue nas paredes do quarto, em uma altura de aproximadamente dois metros.

O irmão da vítima disse à PM que eles havia chegado do trabalho e Baltazar começou a prepara a janta, enquanto isso, o irmão foi até a casa de um amigo. Cerca de duas horas depois, o homem retornou na casa e chamou Baltazar, que não respondeu. Ao entrar no quarto, ele se deparou com as marcas de sangue e viu que o irmão estava morto.

De acordo com as investigações, Renan Daquila Dias invadiu o quarto do tio quando ele já havia se deitado, e na posse de um martelo, começou a desferir vários golpes contra a cabeça da vítima.

Por G1