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A coleta de lixo em Porto Velho virou um retrato claro de como a desorganização administrativa consegue atingir direto o dia a dia da população.

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Não é de hoje. A saída da Marquise, determinada pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia por falhas na licitação, abriu uma porta que até agora ninguém conseguiu fechar direito. De lá pra cá, o que se vê é um improviso atrás do outro.

Empresa entra, empresa sai, contrato emergencial vira regra, e a cidade fica no meio disso tudo, dependendo de um serviço que não pode falhar. Lixo não espera decisão judicial. Lixo não entende burocracia. Ele acumula.

E o mais curioso é que antes havia um funcionamento minimamente estável. Não era perfeito, mas funcionava. Hoje, o que se tem é instabilidade, incerteza e um problema que se arrasta sem solução definitiva.

O discurso é sempre o mesmo: questão judicial, análise técnica, ajustes no processo. Tudo válido. Mas, na prática, o que chega para a população é outra coisa. É rua suja, coleta irregular e sensação de abandono.

O poder público parece ter entrado naquele ciclo perigoso de apagar incêndio. Resolve o problema da semana, mas não constrói uma saída duradoura. E aí o provisório vai virando permanente.

No fim das contas, não falta diagnóstico. Falta decisão. Falta organizar a casa e dar previsibilidade para um serviço básico, que deveria funcionar no automático.

Porque limpeza urbana não pode ser novela. Tem que ser rotina.

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