A política tem dessas coisas. Às vezes, um movimento simples vira motivo de um monte de perguntas. Foi exatamente o que aconteceu nesta quinta-feira, quando Sandro Rocha, irmão do governador Marcos Rocha e diretor-geral do Detran, anunciou sua filiação ao Avante.
A entrada dele no partido, a poucos dias do prazo final das definições, rapidamente levantou uma dúvida que muita gente já considerava encerrada: afinal, o governador pode voltar atrás e disputar o Senado?
O raciocínio é direto. Sandro só poderia disputar algum cargo se Marcos Rocha deixasse o governo até o dia 4 de abril. Como isso não está no radar, qual seria o sentido dessa movimentação agora?
A resposta oficial veio rápida. O presidente regional do Avante, Jair Montes, tratou de esfriar qualquer tipo de especulação. Segundo ele, Sandro chega para ajudar na organização do partido, montar nominatas e contribuir com a estratégia eleitoral da sigla. Nada além disso.
Mas na política, nem sempre a versão oficial encerra o assunto.
Nos últimos dias, o tema voltou com força entre lideranças e pessoas próximas ao governo. Ainda existe um grupo que não esconde a frustração com a decisão de Marcos Rocha de não disputar o Senado. Isso porque, em vários levantamentos, o nome do governador aparece competitivo, com chances reais de vitória.
Mesmo assim, a posição dele segue a mesma.
Marcos Rocha tem repetido que permanece no cargo até o fim do mandato, em janeiro de 2027. Não pretende sair, não pretende disputar e não pretende mudar de rota. Segundo ele próprio, só um milagre faria isso acontecer.
E, até agora, esse milagre não apareceu.
O fato é que a filiação de Sandro Rocha não muda, na prática, o cenário oficial. Mas serviu para lembrar que, na política, decisões nunca deixam de ser questionadas principalmente quando ainda existe tempo no relógio.
























