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A população de Sena Madureira, no interior do Acre, amanheceu diante de uma cena difícil de acreditar. A ponte Frei Paolino Baldassari, considerada uma das principais obras de mobilidade urbana do município, desabou pouco mais de dois anos após sua inauguração, provocando revolta, preocupação e uma série de questionamentos sobre a execução e a fiscalização do empreendimento.

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O desabamento ocorreu de forma repentina e foi registrado por moradores que acompanhavam a situação da estrutura. Vídeos que rapidamente se espalharam pelas redes sociais mostram o momento em que parte da ponte cede e cai sobre o rio. Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas. Entre elas estava justamente um morador que fazia imagens das rachaduras e problemas aparentes na estrutura para alertar sobre os riscos que a população corria. Segundos depois de registrar a situação, ele acabou sendo atingido pelo colapso da construção.

Apesar da gravidade do episódio, uma medida tomada horas antes evitou uma tragédia ainda maior. A ponte havia sido interditada preventivamente após relatos de problemas estruturais. A decisão impediu a passagem de veículos e reduziu significativamente o risco de mortes, já que o local é utilizado diariamente por milhares de pessoas.

Com 232 metros de extensão, a ponte foi entregue à população no final de 2023 e era vista como uma obra estratégica para o município de cerca de 42 mil habitantes. O investimento público girou em torno de R$ 36 milhões, recursos provenientes de diferentes fontes, incluindo governo estadual, prefeitura e emendas parlamentares.

O desabamento reacende um debate recorrente em todo o país: a qualidade das obras públicas e a eficiência da fiscalização após a entrega dos empreendimentos. Moradores afirmam que os sinais de deterioração já eram visíveis há meses e que denúncias sobre rachaduras e possíveis falhas estruturais vinham sendo feitas antes do colapso.

Agora, as atenções se voltam para as investigações que deverão apontar o que provocou a queda da estrutura e, principalmente, quem serão os responsáveis por uma obra milionária que não resistiu sequer três anos em funcionamento. Enquanto isso, Sena Madureira tenta lidar com os transtornos causados pela perda de uma ligação considerada fundamental para a mobilidade da cidade.

A expectativa da população é que as apurações avancem com rapidez e transparência, oferecendo respostas para um episódio que transformou uma obra símbolo de desenvolvimento em um dos maiores problemas de infraestrutura já registrados na história recente do município.

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